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Militares sírios voltam a entrar no maior campo petrolífero do país

Pela primeira vez em 7 anos, o Exército sírio entrou no maior campo petrolífero do país, al-Rumailan. O Kremlin sublinhou que o Estado sírio deve controlar os seus recursos naturais, incluindo o petróleo.

Tropas do Exército Árabe Sírio instalaram-se na região de Qamishli, junto à fronteira com a Turquia na província de Hasaka, no extremo Nordeste do país
Tropas do Exército Árabe Sírio instalaram-se na região de Qamishli, junto à fronteira com a Turquia na província de Hasaka, no extremo Nordeste do país Créditos / TASS

Imagens e notícias divulgadas esta terça-feira por diversos meios de comunicação dão conta da presença de oficiais e soldados sírios em várias partes do campo petrolífero, localizado na província de Hasaka, no extremo Nordeste do país, e no qual existem, segundo a Prensa Latina, 1250 poços de petróleo.

Antes da guerra de agressão à Síria, produzia cerca 90 mil barris por dia, o que equivalia a uma percentagem significativa da produção total do país. Desde 2012, o campo de al-Rumailan esteve sob controlo de milícias armadas curdas e forças militares de ocupação norte-americanas, que, segundo a mesma fonte, dali extraíam cerca de 20 mil barris diários.

A notícia surge no contexto da decisão de Washington de manter pelo menos 500 tropas junto aos poços de petróleo controlados pelas milícias curdas, depois de a Casa Branca já ter anunciado a retirada total das suas tropas do território sírio. O secretário de Estado da Defesa dos EUA, Mark Esper, disse que a medida visava proteger os campos petrolíferos dos terroristas do Daesh e que as tropas norte-americanas irão recorrer a uma força «arrasadora» contra qualquer agente que desafie os EUA, incluindo o governo sírio.

Unidades do Exército sírio na região de Qamishli

Esta terça-feira, unidades do Exército Árabe Sírio começaram a instalar-se na região de Qamishli (província de Hasaka), com o objectivo de defender o território sírio de novas incursões militares por parte da Turquia.

De acordo com a agência estatal SANA, as forças do Exército de Damasco iniciaram a construção de fortificações e pontos de controlo em cerca de uma dezena de localidades situadas junto à linha fronteiriça com a Turquia, entre Qamishli e Malkieh.

A mesma fonte dá conta do regresso de muitos civis às suas casas, em zonas rurais dos municípios de Qamishli, Tel Tamr e Ras al-Ain, que haviam sido obrigados a fugir devido à agressão das tropas turcas e das organizações terroristas que apoiam.

Por seu lado, as forças militares turcas trouxeram reforços para a aldeia síria de al-Souda, perto da cidade estratégica de Ras al-Ain, também na província de Hasaka.

Moscovo: campos petrolíferos devem estar sob controlo do Estado sírio

Tendo em conta as notícias divulgadas pela agência turca Anadolu, de acordo com as quais cerca de 300 soldados dos EUA se encontram na província síria de Deir ez-Zor, rica em recursos petrolíferos, para ali construir novas bases, o vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Vershinin, afirmou ontem que «quaisquer acções […] que os Estados Unidos tomem para manterem a sua presença militar na Síria são inaceitáveis e ilegais do ponto de vista do direito internacional», refere a PressTV.

Vershinin sublinhou que «o petróleo sírio é um activo nacional de todos os sírios», e a Rússia «entende que os sírios devem controlar os seus recursos naturais, incluindo o petróleo».

As autoridades sírias há muito que denunciam e condenam o saque dos seus recursos naturais levado a cabo por Washington, em conluio com diversos agentes. A SANA lembra que o roubo do petróleo sírio foi confirmado recentemente pelo Ministério russo da Defesa, com a publicação de fotos de tanques a serem contrabandeados para fora do país sob a protecção dos militares norte-americanos.

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