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Convite a ministro brasileiro da Saúde para conferência em Lisboa gera indignação

O Colectivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira em Lisboa já solicitou esclarecimentos à Faculdade de Medicina da UL sobre convite a ministro acusado de crimes na gestão da pandemia.

Créditos / ABCdoABC

A notícia de que o ministro foi convidado como «académico» para falar sobre a gestão da Covid-19 no Brasil, um dia após a divulgação do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia pelo Senado brasileiro, «causou estarrecimento, especialmente por Queiroga constar no documento entre os indiciados por epidemia culposa com resultado de morte e por prevaricação», lê-se num comunicado do Colectivo Andorinha enviado ao AbrilAbril.

Na carta enviada ao director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (UL), o Colectivo Andorinha, «como grande parte da comunidade internacional», diz-se «indignado» e pede esclarecimentos sobre a veracidade do convite. Isto porque o relatório da CPI do Senado imputa a diversas autoridades que ocupam funções no Governo Federal do Brasil, nomeadamente ao Presidente da República e alguns dos últimos ministros da Saúde, incluindo Marcelo Queiroga, o crime de responsabilidade pelas mais de 600 mil mortes no país. 

O Colectivo Andorinha lembra ainda que o Ministério da Saúde «apresenta escabrosos casos de corrupção em processos de compra de vacinas» e que, embora «famoso pela eficiência em programas de vacinação», o Brasil tem apenas 50% da sua população vacinada, com a agravante de o Ministério da Saúde ter aceitado «experiências ditas científicas, feitas por diversos planos de saúde em seus pacientes, sem conhecimento desses e de seus familiares, levando muitos à morte».

Perante o exposto, pergunta-se na missiva o que terá o ministro brasileiro a comunicar à comunidade médica portuguesa sobre a gestão da Covid-19. A sessão está agendada para a próxima terça-feira, na Aula Magna, com a Faculdade de Medicina a justificar o convite a Marcelo Queiroga enquanto «médico cardiologista, ministro da Saúde dum país amigo». 

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