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China responderá com firmeza a entraves dos EUA à sua imprensa

As autoridades chinesas reafirmaram esta terça-feira que darão uma resposta firme aos Estados Unidos se persistirem os entraves aos órgãos de comunicação chineses em solo norte-americano.

Créditos / CGTN

Wang Wenbin, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, disse ontem em Pequim que o governo do seu país irá retaliar no caso de se manterem as «acções hostis» de Washington contra os jornalistas chineses, que poderão ser forçados a sair do país ocidental devido à não prorrogação dos vistos.

Wang denunciou que nenhum correspondente chinês nos Estados Unidos viu deferida a prorrogação de visto solicitada desde 11 de Maio último, quando Washington limitou a permanência dos jornalistas no país a um período de 90 dias, com opção de renovação de autorização.

«Os EUA têm vindo a escalar as suas acções contra os jornalistas chineses. Os EUA devem corrigir de imediato o seu erro e pôr fim a estas acções», disse o funcionário chinês, citado pela PressTV.

Advertiu que, se Washington insistir, a China dará a «resposta necessária e legítima para salvaguardar os seus direitos e interesses».

«Os Estados Unidos – disse – intensificaram a opressão política contra os órgãos de comunicação chineses, no meio da sua ofensiva assente numa mentalidade de guerra fria e preconceito ideológico».

Wang criticou ainda a hipocrisia da Casa Branca, por falar em defesa da liberdade de imprensa, por um lado, e por obstruir o trabalho jornalístico dos correspondentes do país asiático, por outro.

Antes, o jornal Global Times afirmou que, em caso de retaliação, os jornalistas norte-americanos colocados na região semi-autónoma de Hong Kong seriam os primeiros atingidos.

Ingerência crescente dos EUA

Durante a presidência de Donald Trump, as relações entre os EUA e a China atingiram o seu ponto mais baixo das últimas décadas, com a China a denunciar a ingerência de Washington nos seus assuntos internos – como Hong Kong – ou em temas que envolvem a China e outros países asiáticos e nos quais os Estados Unidos querem assumir um papel de «árbitro», como o Mar do Sul da China.

A política de Washington relativamente a Taiwan ou as acusações frequentes lançadas contra a China no que respeita à pandemia de Covid-19 também foram motivo de fricção, assim como a questão da «imprensa», que se intensificou em Fevereiro deste ano, quando Washington limitou a 100 o número de funcionários da agência Xinhua, da TV CGTN, da estação China Radio International e dos jornais China Daily e Diário do Povo instalados em solo norte-americano.

Essas entidades, lembra a Prensa Latina, também passaram a ser classificadas como «missões estrangeiras», ficando obrigadas a seguir as mesmas regras que as embaixadas e os consulados – com o argumento de que estão controladas pelo governo da China.

Como medida de retaliação, a China informou em Março que as delegações da Voice of America, New York Times, WSJ, Washington Post e Time no país devem entregar por escrito às autoridades chinesas os dados sobre os seus funcionários, finanças, operações e propriedades.

Exigiu ainda aos jornalistas destes órgãos cujas credenciais caducam este ano que entreguem as cédulas, pois deixarão de ter autorização para trabalhar na China continental, em Hong Kong e Macau, informa a agência cubana.

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