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Cerca de 50 países pedem a Cuba o antiviral que teve êxito na China

O Centro Nacional de Biopreparados de Cuba (Biocen) anunciou que está a aumentar a produção do antiviral Interferón Alfa 2B, medicamento que mostrou ser eficaz para tratar pessoas afectadas pela Covid-19.

O Interferón revelou-se um medicamento eficaz no tratamento (não na cura) da Covid-19, tendo sido adoptado pelas autoridades sanitárias chinesas no combate à doença
O Interferón revelou-se um medicamento eficaz no tratamento (não na cura) da Covid-19, tendo sido adoptado pelas autoridades sanitárias chinesas no combate à doença CréditosLiu Dawei / Xinhua

A directora do Biocen, Tamara Lobaina Rodríguez, afirmou que Cuba estará em condições de exportar o medicamento em grande escala a partir de meados de Abril.

«Temos de aumentar a produção de Interferón esta semana para poder cumprir com o aumento da procura e com os novos pedidos que possam chegar nos próximos dias», explicou, em declarações ao diário Granma, destacando ainda a preocupação em «garantir a qualidade do produto» que Cuba exporta «para que tenha a mesma eficácia que mostrou na China».

A especialista cubana referia-se ao êxito que o Interferón teve quando começou a ser utilizado em pacientes infectados com a Covid-19 por uma delegação de médicos cubanos que chegou à China no final de Janeiro para ajudar o país asiático, tendo sido um de cerca de 30 medicamentos então escolhidos pela Comissão Nacional de Saúde chinesa pelo seu potencial para curar a doença respiratória.

O Interferón Alfa 2b Humano Recombinante – nome completo do medicamento – foi criado por investigadores do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB) de Cuba, na segunda metade dos anos 80, e, após a sua introdução no sistema de saúde público da Ilha, mostrou ser eficaz na terapia de doenças virais como as hepatites B e C, e o HIV, entre outras.

O portal uruguaio ladiaria.com.uy refere que a escolha do Interferón pelas autoridades médicas da China para fazer frente ao novo coronavírus está relacionada com o facto de, de um modo geral, estes vírus provocarem a diminuição da produção natural de interferon (uma proteína) no organismo humano, sendo que o fármaco cubano é capaz de suprir essa deficiência, reforçando o sistema imunológico dos pacientes com Covid-19.

Em 2003, nasceu a empresa mista sino-cubana ChangHeber, com sede na cidade de Changchun (província chinesa de Jilin). Passados dez anos, foi ali inaugurada uma fábrica moderna, que actualmente fabrica uma ampla variedade de produtos biotecnológicos criados na maior ilha das Antilhas, incluindo o Interferón Alfa 2b Humano Recombinante.

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