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Amizade China-África reforçada em cimeira contra a pandemia

Xi Jinping anunciou uma série de medidas de apoio a países africanos, incluindo o cancelamento de dívidas contraídas ao governo chinês como empréstimos sem juros e que deveriam ser pagas até finais de 2020.

O presidente chinês, Xi Jinping, discursa, em Pequim, durante a Cimeira Extraordinária China-África sobre Solidariedade contra a Covid-19
O presidente chinês, Xi Jinping, discursa, em Pequim, durante a Cimeira Extraordinária China-África sobre Solidariedade contra a Covid-19 CréditosDing Haitao / Xinhua

No decorrer da Cimeira Extraordinária China-África sobre Solidariedade contra a Covid-19, que decorreu esta quarta-feira por videoconferência, o presidente da China disse esperar que «a comunidade internacional, especialmente os países desenvolvidos e as instituições financeiras multilaterais, actue de modo mais dinâmico no que respeita ao alívio e suspensão da dívida para África», revela a agência Xinhua.

Xi Jinping referiu-se aos planos do seu país no que toca à prestação e envio de mais assistência, equipamento e especialistas aos países africanos para o combate à pandemia, bem como à aceleração da construção de mais hospitais no continente e da sede do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças em África, que, segundo disse, «irá começar antes do previsto».

Entre as propostas avançadas pelo presidente chinês, contam-se o reforço da cooperação, sobretudo na área da saúde pública, do desenvolvimento socioeconómico, do sector energético e das telecomunicações.

Xi apelou ao fortalecimento do multilateralismo e da solidariedade, e expressou a sua oposição à politização e estigmatização da Covid-19, ao racismo e à discriminação por questões ideológicas, sublinhando que a China assume uma posição forte em defesa «da equidade e da justiça no mundo», informa a Xinhua.

Afirmando que China e África «promoveram a solidariedade e fortaleceram a amizade e a confiança mútua» em tempos de pandemia, Xi Jinping mostrou-se determinado a dar impulso a esta amizade, levando-a a novos níveis de associação estratégica.

A cimeira extraordinária foi proposta conjuntamente pela China, a África do Sul (que detém presidência rotativa da União Africana) e o Senegal (co-presidente do Fórum de Cooperação China-África – Focac).

Participaram líderes de países africanos e, como convidados especiais, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e o director geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Grande apoio da China aos países de África nos meses de pandemia

Li Hongfeng, decana da Escola de Estudos Africanos, da Beijing Foreign Studies University, disse ao Global Times que a cimeira irá ajudar a China e os países africanos a partilhar experiência contra o vírus e inspirar mais cooperação multilateral com os países de África – além de permitir maior coordenação e partilha de recursos entre estes.

«A epidemia em África não é tão severa como se pensou, mas dados recentes mostraram que ainda se está a desenvolver. Todos os países devem estar alerta», disse Li Hongfeng.

Também em declarações ao Global Times, os embaixadores do Quénia, Sarah Serem, e da Nigéria em Pequim, Baba Ahmad Jidda, valorizaram o papel da China junto dos seus países nestes cinco meses de pandemia, nomeadamente o envio de equipas médicas e de doações.

De acordo com a China Central Television, o país asiático enviou material médico para mais de 50 países africanos e 148 profissionais da saúde para 11 destes países. A mesma fonte revela que 40 equipas médicas chinesas a operar em África organizaram mais de 400 sessões de formação.

Li Xinfeng, vice-presidente executivo do Instituto China-África, disse que a China «foi e será sempre o maior apoiante do desenvolvimento africano», e que irá «ajudar o continente na sua luta contra a Covid-19 e a restaurar a sua economia na fase de pós-pandemia», informa o Global Times.

«A retoma do trabalho e a prevenção da doença são ambas cruciais para os países de África, de modo a serem capazes de garantir a subsistência das pessoas, evitar perturbações sociais massivas, desenvolver a economia e investir mais na saúde pública», disse Li.

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