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Bielorrússia denuncia provável participação dos EUA em tentativa de golpe de Estado

Num vídeo divulgado pela Presidência bielorrussa, Alexander Lukashenko denunciou este domingo a tentativa de «assassínio» e «golpe», com a provável participação de agências norte-americanas.

Minsk (imagem de arquivo)  
Minsk (imagem de arquivo)  Créditos / Sputnik via RT

O presidente bielorrusso, que confirmou o fracasso da tentativa de golpe de Estado e dos planos de assassinato contra ele e a sua família, disse que prenderam o grupo envolvido, que «nos mostrou como tinham planeado tudo».

«Fiquei em silêncio. Depois, descobrimos o trabalho de serviços de inteligência claramente estrangeiros, muito provavelmente a CIA, o FBI», disse Lukashenko, que acusou as mais altas autoridades norte-americanas de envolvimento nos factos.

O chefe de Estado informou ainda que as autoridades bielorrussas pediram ajuda ao governo russo e ao seu Serviço Federal de Segurança (FSB) para organizar a detenção dos envolvidos nos planos dos atentados, que, refere a Prensa Latina, tinham viajado dos Estados Unidos para Moscovo.

Com o apoio do Comité de Segurança do Estado bielorrusso, o FSB prendeu na capital russa os cidadãos bielorussos Alexander Feduta e Yuri Zenkovich, sendo que este último também tem nacionalidade norte-americana.

Os serviços de relações públicas do FSB informaram que «ambos planeavam realizar um golpe de Estado militar na Bielorrússia, seguindo o guião das chamadas revoluções coloridas e envolvendo nacionalistas ucranianos e locais».

A agência de segurança russa confirmou que as acções planeadas incluíam a eliminação física do presidente da Bielorrússia e da sua família, matar «quase todos os dirigentes» bielorrusos, um golpe militar e um apagão em todo o país.

«Como levar a cabo um golpe armado com êxito»

«Foi sugerido que a fase activa seria lançada por alguns grupos armados que estão actualmente localizados em "bases secretas"», divulgou o FSB com base em informação recolhida na reunião de Moscovo. A acção estaria alegadamente agendada para 9 de Maio, quando a Bielorrússia celebra a vitória sobre o nazi-fascismo, em 1945, com um desfile militar, noticia a RT.

No sábado, a cadeia de TV bielorrussa ONT transmitiu imagens de uma câmara oculta do que parece ser a reunião em Moscovo. Nela, Zenkovich e Feduta precisaram como levar a cabo um golpe armado com êxito. Disseram que Lukashenko devia ser «eliminado» e que pelo menos 30 em Minsk – presumivelmente altos funcionários – deviam ser «presos literalmente na primeira hora».

O canal de TV russo Rossiya 1 mostrou mais imagens da câmara oculta no domingo. Nelas, Feduta explica como a Bielorrúsia pós-golpe de Estado deve ser governada por um conselho de Estado formado por líderes de todos os partidos políticos inscritos.

Ele e Zenkovich sugeriram que deviam «cuidar» da comunicação social, dos tribunais, do Parlamento, dos ministérios da Justiça e da Educação, da comissão eleitoral central e do desenvolvimento de uma nova Constituição.

Zenkovich, refere a RT, deixou ainda implícito que o golpe poderia ser economicamente rentável para os participantes, tendo afirmado que Lukashenko deve ter poupanças em qualquer lugar que «simplesmente possam ser tomadas, em silêncio, se a ocasião se proporcionar».

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