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Ansarullah e milícias apoiadas por Riade chegam a acordo sobre troca de prisioneiros

Os sauditas e as milícias por eles apoiadas firmaram um acordo com o movimento Huti sobre troca de prisioneiros, alcançado sob a égide da ONU antes das negociações de paz na Suécia.

Um homem e os seus filhos num zona bombardeada de Hudaydah
Um homem e os seus filhos num zona bombardeada de HudaydahCréditosGiles Clarke / UNOCHA

Esta segunda-feira, Abdul Qader al-Murtaza, presidente do Comité dos Assuntos dos Prisioneiros, dirigido pelo movimento popular iemenita huti Ansarullah, confirmou à agência noticiosa turca Anadolu o acordo entre este movimento e as forças lideradas pela Arábia Saudita na guerra de agressão ao Iémen, alcançado com a mediação das Nações Unidas, com vista à troca de prisioneiros.

Al-Murtaza referiu também que o acordo marca o primeiro passo para a resolução da crise humanitária no Iémen. De acordo com a AFP, a troca de prisioneiros deve ocorrer antes do início das negociações de paz na Suécia.

Prevê-se que as partes beligerantes se comecem a reunir amanhã no país nórdico, no âmbito das conversações auspiciadas pelas Nações Unidas, para discutir a paz no Iémen e a implementação de medidas que permitam restabelecer a confiança e que conduzam à eventual criação de um órgão governativo de transição, refere a HispanTV.

Mohammed al-Bukhaiti, membro da direcção política do movimento Huti Ansarullah, confirmou à Reuters a participação nas negociações de paz. À mesma agência, uma fonte das Nações Unidas garantiu que os representantes do antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, apoiado por Riade, também estariam na Suécia.

Martin Griffiths, enviado especial das Nações Unidas para o Iémen, chegou ontem à capital iemenita, Saná, para acompanhar, esta terça-feira, a delegação Huti na viagem até à Suécia, revela a PressTV.

«A pressão do "caso Khashoggi" levou os sauditas a negociar»

Em declarações à PressTV, Lawrence Davidson, professor na Universidade de West Chester (EUA), sublinhou que a troca de prisioneiros só foi possível devido à pressão internacional crescente sobre a Arábia Saudita, relacionada com o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

Para o académico, «trata-se de uma jogada táctica» da parte dos sauditas para «aliviar alguma dessa pressão».

Guerra de agressão, desde Março de 2015

À frente de uma aliança que inclui países como os Emirados Árabes Unidos, o Sudão e o Egipto, a Arábia Saudita lançou, em Março de 2015, uma ofensiva militar contra o mais pobre dos países árabes, declarando serem seus objectivos esmagar a resistência do movimento popular Ansarullah e recolocar no poder o antigo presidente Abd Rabbuh Mansur Hadi, aliado de Riade.

De acordo com as estimativas mais recentes, a guerra de agressão contra o Iémen já provocou cerca 56 mil mortos. O Comité Internacional da Cruz Vermelha e as Nações Unidas têm-se referido à situação no país como «a maior crise humanitária do mundo».

As Nações Unidas sublinham que a campanha militar provocou milhares de mortos e feridos entre a população civil, foi responsável pela destruição de uma parte substancial das infra-estruturas do país árabe e está na origem de uma situação humanitária em que mais de 22 milhões de iemenitas necessitam de ajuda alimentar urgente, sendo que 8,4 milhões são «severamente afectados pela fome».

Tanto a Arábia Saudita como os Emirados Árabes Unidos têm sido frequentemente acusados de violações dos direitos humanos e de perpetrar acções que se configuram como crimes de guerra.

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