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Alerta para a «luta por likes», o «rápido e superficial» no panorama mediático

O reforço da formação e «uma alta preparação» em múltiplas áreas são essenciais aos jornalistas para analisar a realidade, defendeu a vice-presidente da Prensa Latina no Congresso Hispano-americano de Imprensa.

Créditos / PL

Ao intervir na segunda e última jornada do XXVI Congresso Hispano-americano de Imprensa, inaugurado sexta-feira na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, Luisa María González afirmou que «o mundo necessita de um jornalismo sem vozes dominantes, onde todos possam ser ouvidos».

Neste sentido, a jornalista cubana, ao fazer uma apresentação sobre a ética no trabalho jornalístico, considerou essencial a igualdade de condições e o equilíbrio no cenário mediático e mundial.

Segundo refere a agência de que é vice-presidente, González alertou para «um panorama complexo para a imprensa e os seus públicos, que enfrentam uma verdadeira avalanche de informação».

Como resultado disto, «torna-se cada vez mais difícil identificar o que é verdadeiramente relevante, ao mesmo tempo que se deterioram a qualidade e os padrões de leitura ou consumo, que privilegiam a rapidez e o superficial face à análise pausada, à interpretação e à reflexão», acrescentou.

Outros desafios apontados foram a proliferação de notícias falsas, noutros casos banais, ou a manipulação da realidade, por vezes em níveis caricaturescos.

Neste contexto, Luisa María González defendeu a aposta no reforço da formação dos repórteres com maiores competências técnicas e formação integral humanista.

O jornalismo deve recuperar valores e premissas que definiram a profissão desde o início

«Os jornalistas devem ter uma alta preparação em temas como história, filosofia, economia, política, literatura e arte, para serem sujeitos capazes de analisar a realidade que os rodeia, interpretá-la, identificar os conflitos e desafios das sociedades, para poderem assim realizar o seu trabalho com elevado profissionalismo», disse.

Para a vice-presidente de uma agência fundada em 1959, nos alvores da Revolução Cubana, com o compromisso de acompanhar as causas justas, é essencial promover o papel dos meios de comunicação social como funcionários públicos que devem contribuir para o progresso social.

«O jornalismo de hoje deve recuperar os valores e premissas que definiram a profissão desde os seus primeiros dias, e que por vezes parecem confundir-se nesta luta avassaladora por likes, o posicionamento e o lucro económico», frisou.

Luisa María González na inauguração, em Nova Iorque, da mostra «65 Anos ao Serviço da Verdade» // Deisy Francis / PL 

«A objectividade, a utilização adequada das diversas fontes de informação, a gestão pertinente dos dados, a adesão permanente aos códigos de ética e a existência de regulamentações sociais na área em questão devem continuar a ser os princípios básicos do exercício do jornalismo na contemporaneidade», acrescentou.

«65 Anos ao Serviço da Verdade»

Ainda no âmbito do Congresso Hispano-americano de Imprensa, que decorreu em Nova Iorque (EUA) a 31 de Maio e 1 de Junho, a Prensa Latina inaugurou ali a exposição fotográfica «65 Anos ao Serviço da Verdade».

A mostra inclui duas dezenas de fotos realizadas por repórteres da agência em mais de 30 países, nos seus 65 anos de existência, figurando personalidades destacadas da história e da cultura, como Jimmy Carter, Ernesto Che Guevara ou Gabriel García Márquez, e momentos como manifestações contra o massacre israelita na Faixa de Gaza ou contra o cerco imposto por Washington à Ilha.

Uma versão ampliada da exposição, com 65 fotografias, indica a fonte, será apresentada no próximo dia 6 de Junho na Embaixada da Nicarágua em Washington.

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