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Adesão à greve com forte impacto na circulação ferroviária em França

Numa segunda-feira a que os sindicatos chamaram «dia sem comboios e sem ferroviários», a circulação ferroviária foi fortemente afectada. O protesto contra a reforma do sector dura há um mês e meio.

Ferroviários em greve em Lisieux
Ferroviários em greve em LisieuxCréditos / actu.fr

De acordo com o L'Express, o 18.º dia de greve desde o ínicio de Abril dos trabalhadores da Sociedade Nacional dos Caminhos-de-Ferro (SNCF) ficou marcado por uma elevada adesão, nomeadamente dos condutores e dos controladores.

Como consequência da paralisação, apenas circularam um terço dos comboios de alta velocidade, dos regionais e dos da região parisiense, e um em cada cinco dos inter-cidades.

No que respeita ao tráfego internacional, foram suspensas as ligações com Itália, os comboios para Espanha funcionaram a 50% e, no que à Suíça diz respeito, foram anuladas nove em cada dez ligações. Apenas se manteve o tráfego praticamente normal com destino à Bélgica e à Holanda, referiu a SNCF, citada pela Prensa Latina.

Este «dia sem comboios e ferroviários», convocado pelas organizações representativas dos trabalhadores da SNCF, insere-se no calendário de paralisações intercaladas (dois dias em cada cinco) entre 3 de Abril e o final de Junho, estando previstas 36 jornadas de greve.

Defesa do sector público

Os quatro sindicatos do sector – CGT, Unsa, Sud e CFDT – estão, no seu conjunto, a fazer frente à maior reforma no sector desde a nacionalização dos caminhos-de-ferro, em 1937, e que se inclui num pacote mais amplo de reformas económicas, sociais e laborais de teor neoliberal que o presidente francês, Emmanuel Macron, pretende impor até 2022.

Os trabalhadores opõem-se à destruição do «serviço público ferroviário», com a sua entrega aos operadores privados, a reorganização da SNCF e a destruição dos direitos conquistados pelos ferroviários ao longo de anos. Pelo seu lado, o governo francês recusa-se a discutir estes aspectos do projecto.

A poucos dias do debate sobre a dita reforma do sector ferroviário no Senado, os quatro sindicatos decidiram realizar uma consulta, «para que os trabalhadores do sector votem a favor ou contra do projecto do governo».

A administração da SCNF já veio dizer que a consulta «carece de total legitimidade». Pelo seu lado, os sindicatos esperam uma alta participação dos ferroviários na consulta, que começou hoje e dura até à próxima segunda-feira.

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