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Trabalhadores ferroviários franceses em luta contra reforma das pensões

A greve desta terça-feira teve maior impacto nos comboios suburbanos de Paris. Sindicatos denunciam que, com a reforma, operários vão trabalhar mais anos e receber menos.

Philippe Martínez, secretário-geral da CGT, afirma que «o governo quer cortar gastos e fazer-nos trabalhar mais anos»
Philippe Martínez, secretário-geral da CGT, afirma que «o governo quer cortar gastos e fazer-nos trabalhar mais anos» Créditos / actu.fr

As plataformas das estações estavam cheias de passageiros, esta manhã, uma vez que centenas de comboios foram cancelados; a Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro (SNCF) afirmou que apenas deviam circular dois em cada cinco comboios intercidades e três em cada cinco regionais.

O cenário nos comboios de alta velocidade (TGV) era o oposto do dos suburbanos de Paris (RER): os primeiros a circular quase a 100% e os segundos praticamente parados.

A greve foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), com o apoio de sindicatos como a FSU e a UNSA, contra a reforma das pensões promovida pelo presidente francês, Emmanuel Macron.

Para esta tarde estavam previstas cerca de 150 mobilizações por toda a França, sob o lema «Empregos, salários, serviços públicos, pensões: Stop ao declínio social!», refere a France 24.

Nalgumas cidades, como Nice, registou-se ainda a paralisação dos serviços de transporte urbano (autocarros e eléctricos). «Já nos reformamos demasiado tarde, quando estamos exaustos», disse à France 24 Marie-Paule Dano, de 66 anos, ao participar numa manifestação na cidade de Clermont-Ferrand. «Depois de trabalhar 44 anos, as nossas pensões são lamentáveis, e há quem tenha de tomar conta dos pais ou de ajudar os filhos, que estudam cada vez até mais tarde», disse.

Em causa direitos conquistados há décadas

Emmanuel Macron pretende implementar um sistema universal de pensões, alegando que o actual é demasiado custoso para o Estado e complexo, contemplando dezenas de sistemas que foram conquistados como um direito pelos trabalhadores de diversos sectores.

Os trabalhadores do Metro afirmam que, a ser aprovado, o projecto de Macron lhes irá retirar o direito há muito conquistado a uma reforma antecipada e que compensa as longas horas que são forçados a trabalhar debaixo da terra. «O governo quer cortar gastos e fazer-nos trabalhar mais anos», disse o secretário-geral da CGT, Philippe Martínez, à rádio France Culture.

Aos protestos e paralisações e ao anúncio de mais luta, por parte dos sindicatos, o governo respondeu com a promessa de diálogo e concertação até ao debate do projecto no Parlamento, que deverá ter lugar no próximo Verão.

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