|A Voz do Operário

Instituição nasceu do jornal fundado pelos operários tabaqueiros

«A Voz» celebra 135 anos com lançamento de livro

A Sociedade de Instrução e Beneficência «A Voz do Operário» comemora os seus 135 anos de existência este sábado, com a apresentação do livro que reúne a história de mais de um século, «que se confunde, tantas vezes, com a própria história da cidade de Lisboa».

Lançamento da primeira pedra da sede d'«A voz do Operário», em Lisboa. 13 de Outubro de 1912
Lançamento da primeira pedra da sede d'«A voz do Operário», em Lisboa. 13 de Outubro de 1912Créditos / Sociedade de Instrução e Beneficência «A Voz do Operário»

O lançamento do livro dos 135 anos d'«A Voz do Operário» está marcado para as 19h30, no pavilhão multiusos da sede da instituição, na Graça (Lisboa), sendo antecidida de uma sessão solene com a intervenção de membros da comissão de honra do 135.º aniversário.

Capa do livro dos 135 anos d'«A Voz do Operário» Créditos

A obra é assinada pelo jornalista e autor Alberto Franco, cujos textos já foram publicados por jornais como o Público, o Expresso, o Diário de Notícias ou o Diário do Alentejo. Entre a sua obra publicada, contam-se títulos sobre gastronomia, história contemporânea e cultura e tradições populares.

De seguida, realiza-se um jantar comemorativo no salão de festas, para o qual está prevista uma homenagem a Júlio Isidro, sócio honorário 2018, revela a sociedade, em comunicado.

135 a sustentar a «Voz» que «o que disser é o que é verdade»

A fundação da Sociedade de Instrução e Beneficência tem como antecedente a fundação d'A Voz do Operário, o jornal criado para combater o silenciamento da voz dos operários pela imprensa da época.

«Soubesse eu escrever que não estava com demoras. Já há muito que tínhamos um jornal»

Custódio Gomes, Operário tabaqueiro

Em 1879, «perante a recusa de um título jornalístico em publicar uma notícia a denunciar abusos vividos pelos tabaqueiros», o operário Custódio Gomes afirmou: «Soubesse eu escrever que não estava com demoras. Já há muito que tínhamos um jornal. Bem ou mal, o que lá se disser é o que é verdade. Amanhã reúne a nossa Associação, e hei-de propor que se publique um periódico, que nos defenda a todos, e mesmo aos companheiros de outras classes.»

Já em 1883, nasce a Sociedade Cooperativa «A Voz do Operário», com o objectivo de dar suporte ao ambicioso projecto formulado quatro anos antes: uma voz que «jamais deveria remeter-se ao silêncio».

Ao longo da sua história, a instituição deu refúgio para «milhares de pessoas participaram nas lutas políticas, mesmo durante o fascismo» e foram também milhares as crianças que passaram pelas suas escolas – uma história «que se confunde com a própria história da cidade de Lisboa».

Grupo de crianças da Marcha Infantil d'«A voz do Operário» Créditos

Milhares de alunos por toda a Área Metropolitana de Lisboa

Actualmente, «A Voz do Operário» dinamiza uma actividade cultural permanente e diversificada e «é um forte dinamizador do associativismo na cidade, onde se destacam os arraiais de Santo António e a Marcha Infantil, que contabilizou em 2017 a 30.º edição», sublinha a instituição.

Com intervenção na área da educação e do apoio social, a «Voz» conta cerca de 1100 alunos, distribuídos por seis equipamentos nas duas margens da Área Metropolitana de Lisboa (Graça, Ajuda, Restelo, Baixa da Banheira, Lavradio e Laranjeiro), com valências desde a creche ao segundo ciclo do Ensino Básico.

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