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Cem anos de Seara Nova para ver na Universidade do Porto

A Faculdade de Economia da Universidade do Porto acolhe até 19 de Fevereiro a exposição itinerante sobre o centenário da revista Seara Nova, farol democrático na resistência ao fascismo.

Créditos / noticias.up.pt

Os 100 anos da Seara Nova têm estado a percorrer o País numa exposição itinerante que dá a conhecer a revista fundada em 15 de Outubro de 1921 por Aquilino Ribeiro, Augusto Casimiro, Azeredo Perdigão, Câmara Reys, Faria de Vasconcelos, Ferreira de Macedo, Francisco António Correia, Jaime Cortesão, Raul Brandão e Raul Proença. 

Criada com o desígnio de elevar o País, ética e culturalmente, criando um espaço de reflexão que mobilizasse à acção, a Seara Nova surgiu num período conturbado, pontuado por enormes desigualdades sociais, consideráveis atrasos económicos e, entre outros, um baixo nível cultural da população. 

O longo e por vezes conturbado percurso de resistência, pensamento crítico e acção é dado a conhecer na exposição «Seara Nova: 100 anos de acção e pensamento crítico», que está patente na Faculdade de Economia da Universidade do Porto, até 19 de Fevereiro. 

A história da fundação e das motivações que levaram à sua criação, os fundadores, o espírito seareiro, os directores e colaboradores ao longo destes 100 anos, a intervenção política, as polémicas que se travaram nas páginas da revista, a censura e o seu impacto, a memória gráfica, o passado, presente e futuro são os grandes temas da exposição, que seguirá depois para Vila Real, Braga, Faro, Setúbal, Évora e Santarém.

Para além da exposição, será possível assistir à projecção do documentário Há 100 anos, a Seara Nova, realizado por Diana Andringa, na Casa Comum da Universidade do Porto, nos dias 18 e 19 de Fevereiro, às 18h30.

Para o último dia está ainda agendado o colóquio «Elites e Utopias: nos 100 anos da Seara Nova», na Faculdade de Economia do Porto, organizado pelo Instituto de Filosofia da Universidade do Porto.

A Seara Nova foi sempre um espaço de diálogo e de abertura às ideias do progresso. Na resistência ao fascismo, e apesar da censura, a revista albergou colaborações de toda a intelectualidade progressista.

A partir da década de 60 do século XX atingiu mesmo o estatuto de grande revista da resistência antifascista, mantendo o seu forte pendor cultural e intervindo na luta democrática e de resistência ao fascismo, como as eleições de Humberto Delgado, os congressos da Oposição Democrática de Aveiro ou as campanhas eleitorais da Comissão Democrática Eleitoral (CDE).

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