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Celebração e protesto no Dia Mundial do Teatro

Estreias, visitas guiadas a palcos e bastidores, homenagens, evocações de Abril e um protesto constam das actividades anunciadas para quarta-feira, Dia Mundial do Teatro, por companhias de Norte a Sul do país.

CréditosJosé Coelho / Agência Lusa

Almeida Garrett, Bertolt Brecht, David Mamet, Edward Albee, Federico García Lorca, Pau Miró e Tankred Dorst são alguns dos dramaturgos em cena, enquanto actores como Rui Mendes e Ruy de Carvalho são homenageados, e as estreias se estendem de Vila Nova de Famalicão, a Cascais e Lisboa.

O Teatro Nacional de S. João, no Porto, abre portas ao ensaio de Fado Alexandrino, a partir de António Lobo Antunes, que há-de estrear cerca de uma semana depois, e o Nacional D. Maria celebra O teatro que Abril abriu, no Capitólio, em Lisboa.

Em Vila Real, Filandorra - Teatro do Nordeste, que festeja a «Semana do Teatro» com comunidades locais, assinala o Dia Mundial com o «acto perfomativo» O cutelo do Adão, actuação de protesto ao ainda ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva.

A performance acontece um dia antes do anúncio da composição do novo Governo, e tem por base a exclusão da companhia dos apoios da Direcção-Geral das Artes (DGArtes), nos concursos para 2023-2026, apesar de elegível, à semelhança de outras estruturas.

Em Vila Nova de Famalicão, a companhia Momento - Artistas Independentes estreia Eu sou Lorca, a partir de Assim que passarem cinco anos, do poeta e dramaturgo andaluz, para pensar o que é ser artista durante um regime ditatorial e sobre a liberdade nas artes. A apresentação da peça é antecipada de um debate sobre «Liberdade e criação artística» e seguida de uma conversa com o público.

O Teatro Experimental de Cascais (TEC) estreia Últimos remorsos antes do esquecimento, de Jean-Luc Lagarce, com encenação de Elmano Sancho, no Teatro Municipal Mirita Casimiro. Esta é a segunda produção do TEC (que completa 60 anos em 2025), após a morte do seu fundador, Carlos Avilez, no ano passado.

Em Alverca, a Cegada estreia de A recusa de Bartleby, a partir de Herman Melville, no Teatro-Estúdio Ildefonso Valério, com adaptação de Ricardo Cabaça. A peça tem encenação de Rui Dionísio e interpretação de Ana Lúcia Magalhães, Joana Pialgata e Paulo Matos.

Em Lisboa, no Teatro Aberto, estreia-se Uma vida no teatro, de David Mamet, que é também a estreia de Cleia Almeida na encenação. As interpretações são de Alfredo Brito e Vítor Silva Costa.

Outra estreia na capital acontece no Teatro Armando Cortez, pela Companhia da Esquina que assinala 20 anos com a récita solidária de Terror e miséria no III Reich, de Bertolt Brecht, numa encenação de Jorge Gomes Ribeiro, com música de António Vitorino D'Almeida. A receita de bilheteira reverte para a Apoiarte – Casa do Artista.

O Teatro da Trindade abre as portas durante a tarde para revelar segredos do edifício com mais de 150 anos, com duas visitas pelos bastidores e pelo palco. À noite, na sala Carmen Dolores, será gratuita a entrada na récita de A senhora de Dubuque, de Edward Albee.

No Teatro da Politécnica, os Artistas Unidos também têm entrada livre para a representação de Girafas, de Pau Miró, com levantamento de até dois bilhetes por pessoa. A sala da Politécnica acolhe ainda a leitura de Uma Boca Cheia de Pássaros, de Caryl Churchill, pelo Teatro da Cidade.

O S. Luiz Teatro Municipal abre as portas da sala Luís Miguel Cintra para mais uma sessão gratuita: Fedra (não é de pedra), com texto e direcção de Martim Pedroso, e Rita Lello por protagonista.

Estreada na véspera, a peça parte da figura da mitologia grega, mulher de Teseu, desejada pelo enteado Hipólito. A produção resulta de um desafio lançado por Rita Lello a Martim Pedroso, indo ao encontro de um «desejo antigo» do actor e encenador «de pegar numa tragédia e fazer a encenação de um mito».

No Cinearte, A Barraca apresenta 1936 – O ano da morte de Ricardo Reis, numa sessão que não será gratuita, porque no último concurso de apoios bienais da DGArtes a companhia, como explica, «não foi contemplada», «apesar de elegível». A Barraca lamenta «não poder dispensar o apoio do público na compra de bilhetes», ao preço de dez euros, e lança um «Viva o teatro!» O espectáculo parte do romance de José Saramago, tem adaptação e encenação de Hélder Mateus da Costa e direcção de Maria do Céu Guerra.

Ainda em Lisboa, a Freguesia de Santo António, que abrange o Parque Mayer, inaugura a inscrição do nome de mais 33 personalidades do teatro, na calçada portuguesa da Praça da Alegria, que passa agora a contar com um total de 112. Entre os novos homenageados está o actor Rui Mendes, 87 anos, mais de 60 de carreira.

No Capitólio, em pleno Parque Mayer, o Teatro D. Maria II celebra O Teatro que Abril Abriu, evento de entrada livre, que marca o seu regresso a Lisboa, depois da Odisseia Nacional de 2023.

O ciclo «Abril Abriu» estender-se-á até Julho, com 18 espectáculos, por vários espaços da cidade, enquanto o edifício sede, no Rossio, está em obras.

Para o Dia Mundial do Teatro, o D. Maria reserva uma breve antecipação de Quis saber quem sou – Um concerto teatral, de Pedro Penim, que vai revisitar canções da Revolução a par de histórias das gerações que fizeram o 25 de Abril, com estreia marcada para dia 20, no São Luiz. Haverá ainda o debate «Teatro e a Revolução», um concerto de Bruno Pernadas e Margarida Campelo, e uma festa assegurada por Pedro Coquenão 'aka' Batida.

No Museu Nacional do Teatro e da Dança, também com entrada gratuita, a programação de visitas guiadas, performances e oficinas é «inspirada em Gil Vicente», com «os olhos postos na liberdade de Abril».

Em Almada, o Teatro Municipal Joaquim Benite apresenta a peça para a infância Verdi que te quero Verdi, de manhã e à tarde, e O futuro já era, à noite. A Companhia de Teatro de Almada (CTA) anunciará alguns dos espectáculos da 41.ª edição do Festival, a decorrer de 3 a 18 de Julho, e a exposição «A censura ao teatro», coproduzida pelo Arquivo Ephemera e a CTA, cumpre o último dia.

Monólogo de Uma Mulher Chamada Maria com a Sua Patroa é o nome do espetáculo de teatro que sobe ao palco do Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal, pelas 21h30. Trazida pela mão de Sara Barros Leitão, a peça rouba o título a um texto das Novas Cartas Portuguesas, tendo sido concebida no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. 

No Porto, o Nacional S. João abre os bastidores ao público, convidando-o a visitar «os seus monumentos nacionais» –  o Mosteiro de S. Bento da Vitória e o edifício do teatro – e a assistir a leituras encenadas e a um ensaio de Fado Alexandrino, com encenação e dramaturgia do director artístico, Nuno Cardoso.

O final do dia, no Teatro Carlos Alberto, está reservado a Crepúsculo, conjunto de leituras encenadas, conduzidas por Nuno Cardoso, incluídas no projecto 'Theatre for Democracy», que congrega «inquietações de quatro jovens dramaturgos europeus de Itália, França/Irão, Bélgica e Espanha».

Também no Porto, a Seiva Trupe irá homenagear um dos seus fundadores, o actor António Reis, que morreu em 2022, e apresentar o novo site, «na expectativa do futuro».

Em Braga, no Theatro Circo, a CTB – Companhia de Teatro de Braga irá debater «Para que serve o teatro?», e apresentar Anfiteatro, de Heinrich Von Kleist, com encenação e dramaturgia de Rui Madeira.

Na Maia, o Teatro Art'Imagem cumpre o sexto e último dia da Mostra de Teatro de Amadores.

Em Viseu, é inaugurada a exposição «Retratos contados de Ruy de Carvalho», na Casa da Ribeira, com a presença do homenageado.

Em Coimbra, O Teatrão, que iniciou este mês a celebração dos seus 30 anos e dos 50 de Abril, dá continuidade a um programa de visitas guiadas, numa cartografia de sítios de resistência à ditadura na cidade, «onde as flores da Revolução começaram a ser semeadas».

No Fundão, no Auditório da Moagem, a Este – Estação Teatral celebra o dia com 2+2=5, peça a partir do romance 1984 de George Orwell.

O Teatro das Beiras, da Covilhã, vai à Casa Municipal da Cultura de Seia com A grande imprecação diante das muralhas da cidade, do alemão Tankred Dorst, peça que assinala os 50 anos da Revolução e da actividade da companhia.

Em Leiria, no Teatro José Lúcio da Silva, estará O regresso de Ricardo III no comboio das 9h24, de Gilles Dyrek, com encenação de Ricardo Neves-Neves, e Adriano Luz e Ana Nave, no elenco. Nas Caldas da Rainha, o Teatro da Rainha apresenta Às duas horas da manhã, de Falk Richter, com encenação de Fernando Mora Ramos.

O Centro Dramático de Évora (Cendrev) participa nas comemorações no Dia Mundial do Teatro, abrindo as portas do Teatro Garcia de Resende à cidade com dois eventos gratuitos, numa organização conjunta do Cendrev e da Cosmogama. A festa faz-se com o espectáculo Teatro às Três Pancadas, de António Torrado, com encenação de Jorge Baião, às 19h, e com o «Baile Literário», às 21h, sob a direcção de Fabrice Melquiot, da Cosmogama. 

Em Faro, no Teatro Lethes, haverá Viagem ao Centro da Terra, pela companhia Mákina de Cena, e, em Lagoa, a Bruxa Teatro apresenta Chovem amores na Rua do Matador.

Na rádio Antena 2, haverá Teatro Sem Fios, com Elegia Para Uma Senhora, de Arthur Miller.

O Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana, que assina a tradução portuguesa da mensagem do Dia Mundial do Teatro, este ano escrita pelo Nobel da Literatura Jon Fosse, disponibiliza dez anos de criações e a leitura da mensagem, nas redes sociais.

O Dia Mundial do Teatro pode ainda ser tomado como início da contagem decrescente para próximas estreias: Na Medida do Impossível, de Tiago Rodrigues, a 17 de Abril, na Culturgest, em Lisboa; Ulisses: Uma odisseia europeia, projecto sobre a obra de James Joyce, que chegará ao Teatro São Luiz, pela mão de Marco Martins, em Junho, o mesmo mês em que o monólogo Homens Hediondos, de David Foster Wallace, será posto em cena por Nuno Cardoso e Patrícia Portela, no Teatro Carlos Alberto, no Porto.


Com agência Lusa

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