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Bienais de Arte Têxtil e Desenho e o brutesco na arte

Programa da Bienal de Arte Têxtil em Guimarães, Programa da Bienal de Desenho Almada e Galeria Imargem com Rui Silvares, Maus Hábitos no Porto com exposições dos artistas Inês Brites e Maria Trabulo.

Ana Vieira, Ambiente, 1972. Exposição «10 Artistas – O Têxtil Na Arte Portuguesa», da Bienal de Arte Têxtil no Centro Internacional das Artes José de Guimarães, até 30 de outubro
Ana Vieira, Ambiente, 1972. Exposição «10 Artistas – O Têxtil Na Arte Portuguesa», da Bienal de Arte Têxtil no Centro Internacional das Artes José de Guimarães, até 30 de outubroCréditos / Fundação de Serralves

A 6.ª Edição da Bienal de Arte Têxtil Contemporânea vai decorrer em Guimarães, até 30 de outubro. Este ano celebra-se 10 anos de existência da Bienal de Arte Têxtil, o programa acaba por refletir a sua dimensão internacional, as parcerias que se têm vindo a consolidar e o debate em torno da principal vocação que é apresentar o têxtil como principal elemento de referência na reflexão, pesquisa e criação artística.

O Programa compreende além das duas grandes exposições, a Exposição Internacional da Bienal e a exposição «10 Artistas – O Têxtil Na Arte Portuguesa», que faz referência à importância da arte têxtil na arte portuguesa, a intervenção artística em espaço público do artista ganês Ibrahim Mahama como artista convidado no  Instituto de Design de Guimarães (IDEGUI) e uma exposição de arte têxtil norueguesa com 12 artistas, em que as peças poderão ser vistas no Museu de Alberto Sampaio, no Palacete De Santiago e no  Museu Martins Sarmento, de forma a ficarmos com a verdadeira perceção da importância que a arte têxtil tem no contexto internacional da arte contemporânea. Não esquecendo as habituais exposições das residências artísticas e «Emergências» com alunos das escolas artísticas que têm o têxtil no seu currículo.

Na Exposição Internacional da Bienal, no Palácio Vila Flor1, podem ver-se as 58 obras dos 54 artistas selecionadas por um júri internacional, incluindo as obras premiadas, «Graduated Ribbons» (fitas graduadas) de Leïla Pile, que foi distinguida com o Prémio de Aquisição e foram atribuídas menções honrosas às obras da finlandesa Arja Kärkkäinen, da chilena Estefanía Tarud, dos italianos IPER-collettivo e da brasileira Vania Sommermeyer. 

Leïla Pile, Ruban gradué, 2021. Exposição Internacional da Bienal de Arte Têxtil, no Palácio Vila Flor em Guimarães, até 30 de outubro Créditos

«10 Artistas – O Têxtil Na Arte Portuguesa», uma exposição integrante da 6.ª Edição da Bienal de Arte Têxtil Contemporânea, que pode ser vista até 30 de outubro no Centro Internacional das Artes José de Guimarães2 e «assenta na ideia de tempo reacção tempo que nos apresenta obras de artistas portugueses, com maior incidência a partir do anos 60/70 ( altura em que o maior interesse pela arte têxtil surgiu em Portugal ), que incluíram nas suas práticas artísticas o têxtil quer através da técnica, da matéria ou do pensamento-processo». As obras que são apresentadas nesta exposição são dos artistas Ana Vieira, António Barros, Eduardo Nery, Gisella Santi, Joana Vasconcelos, João Pedro Vale, Nuno Alexandre Ferreira, José de Guimarães, Leonor Antunes, Lourdes Castro e Margarida Reis. A obra apresentada, nesta exposição, de Ana Vieira3, segundo um texto de uma exposição em Serralves permite questionar «os conceitos e os estereótipos em torno do papel da casa e da relação entre a mulher e a casa, sublinhando a permeabilidade entre o espaço doméstico e o público, entre interioridade e exterioridade, caraterísticas fulcrais na linguagem artística de Ana Vieira». 

A Bienal de Desenho de Almada – Prémio Pedro de Sousa, é um evento artístico local aberto a artistas de todo o país, que é organizada pela Imargem – Associação dos Artistas Plásticos do Concelho de Almada e tem como objetivo incentivar, promover e divulgar as atividades de criação artísticas no âmbito das artes plásticas, mais precisamente no desenho, umas das linguagens artísticas em que se tem investido muito pouco no nosso país.

A Bienal de Desenho de Almada realiza-se desde 2016 e agora a IV Bienal de Desenho de Almada – Prémio Pedro Sousa 2022, vai acontecer mais uma vez no Solar dos Zagallos4., em Almada, onde podemos visitar duas exposições de arte, até 23 de outubro, uma com as obras dos vinte e quatro artistas que foram selecionados para que entre eles fosse escolhido o Prémio Pedro Sousa 2022, prémio atribuído pela Câmara Municipal de Almada, e uma outra exposição de homenagem ao artista Rogério Amaral, que foi sócio da Imargem e viveu em Almada, além de poder usufruir do maravilhoso jardim do Solar. O Prémio Pedro Sousa 2022 foi atribuído ao desenho «Sem Título, 2021» de Manuel San-Payo e as Menções Honrosas às obras «Eros Erótica 22, 2022» de Maria João Franco, «Sem Título 1, 2022» de Carlos Morais e «O Caçador vai fazer caça, 2022» de Rui Silvares

Rui Silvares, O Caçador vai fazer Caça, 2022. IV Bienal de Desenho de Almada no Solar dos Zagallos, em Almada, até 23 de outubro e Exposição «Brutesco» de Rui Silvares na Galeria Imargem, até 27 de setembro Créditos

Salientamos que, em Almada, podemos ainda visitar até 27 de setembro, uma excelente exposição de desenhos de Rui Silvares com o título «Brutesco», na Galeria de Arte Imargem5. No texto da exposição o artista revela-nos que quando desenha pensa «nos intrincados relevos românicos, no brutal preto e branco de Muñoz e Sampayo, na voz planante de Lou Reed, nas iluminuras do Apocalipse do Lorvão, na lata incontrolável de Picasso, no delírio grotesco de Bosch, na poesia punk dos Clash, na inventividade camaleónica de Bowie, na ironia magnífica de Stanislaw Lem, na áspera grandeza de Paula Rego, no lirismo romântico de William Blake, nos corredores obscuros dos Pop Dell’arte, no traço desengonçado de Joan Sfar, nas manchas de Goya, nos fantasmas de Goya, em Goya…». Acrescenta ainda, Rui Silvares, que é «na hibridização anárquica de influências e acasos que nascem os seus desenhos. Talvez por isso sejam brutescos. Os meus desenhos são brutescos».

O espaço Maus Hábitos6, no Porto, em parceria com a associação Saco Azul7apresenta a exposição «Com Licença» de Inês Brites com curadoria de Benedita Pestana, até 22 de outubro. O Armário é um corpo e um objeto, um dispositivo expositivo que iniciou na Calçada da Estrela em Lisboa e já recebeu mais de 40 intervenções realizadas por artistas desde 2014. Já circulou por Coimbra, Almada e agora na «terceira edição desta itinerância, o Armário vai ser decomposto e refeito pela artista Inês Brites.  Antes de regressar a casa, em junho de 2023 com uma obra de Luisa Cunha, o Armário passará pelas Caldas da Rainha com Von Calhau e Évora com Belén Uriel. Acerca desta intervenção, o texto curatorial de Benedita Pestana diz-nos que «Inês Brites irá produzir uma escultura, «Com Licença», que irá ocupar, praticamente, toda a parte de dentro do Armário, em forma de pirâmide, como se fosse um enorme Origami. A peça será feita em tecidos dobrados de cera e algodão».

Instalação «Com Licença» de Inês Brites no espaço de intervenção artística Maus Hábitos, no Porto, até 22 de outubro Créditos

Maria Trabulo ocupa agora o foyer da sala de espectáculos do Maus Hábitos com um projeto «On What We Chose To Forget And What We Long To Remember» (sobre o que escolhemos esquecer e o que desejamos lembrar), até 19 de outubro. Este trabalho integra-se no ciclo «Poético ou Político?» com curadoria de João Baeta e no projeto Mupi Gallery8. Esta exposição consiste em «digitalizações manuais de fragmentos sobreviventes de esculturas destruídas acidentalmente em 1945 da colecção do Museu Bode em Berlim durante a Segunda Guerra Mundial». No texto da exposição chama-nos a atenção para as «decisões que são tomadas por museus sobre a preservação de certas obras em prol de outras, e como esse acto influência narrativas históricas para o futuro. A ironia da perda acidental de obras que foram selecionadas para sobreviver à guerra, e a sobrevivência de peças descartadas por serem consideradas de menor importância histórica, demonstra a incontrolável natureza e percurso da história e do tempo. «On What We Chose To Forget And What We Long To Remember» procura repor a memória destas obras desaparecidas, através dos seus fragmentos (…)».


O autor escreve ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90)

  • 1. Palácio Vila Flor – Av. Dom Afonso Henriques 701, 4810-431 Guimarães. Horário: terça a sexta-feira, das 10h às 17h, sábado e domingo das 11h às 18h.
  • 2. CIAJG – Centro Internacional das Artes José de Guimarães, terça a sexta-feira, das 10h às 17h, sábado e domingo das 11h às 18h.
  • 3. Ana Vieira, Ambiente, 1972. Estrutura metálica tubular, rede de nylon com pintura aerografada, alcatifa, mobiliário, candeeiro, objetos pessoais, algodão, terra, frutos, flores, planta artificial 250 x 900 x 340 cm. Col. Fundação de Serralves.
  • 4. Solar dos Zagallos – Largo António Piano Júnior, Sobreda – Almada. Horário de visita: quarta a sábado, das 10h às 12h e das 14h às 17h30. Domingos, das 14h às 17h30
  • 5. Galeria De Arte Imargem – Rua Torcato José Clavine n.º19 Piso 03 2804-710 Pragal. Horário: segundas das 10h às 14h e das 18h às 20h, terça das 10h às 13h e das 15h e das 18h, quartas das 10h às 16h e das 18h às 20h, quintas das 15h às 18h.
  • 6. Maus Hábitos – Rua Passos Manuel 178, 4.º 4000-382 Porto. Horário: segunda-feira, 18h – 24h; terça-feira, 12h – 24h; quarta-feira, 12h – 24h; quinta-feira, 12h – 2h; sexta-feira, 12h – 6h (salão nobre até 4h); sábado, 12h – 6h (salão nobre até 4h).
  • 7. A Saco Azul é uma associação cultural composta por um núcleo de artistas e amigos que circunda e define o espaço Maus Hábitos, na cidade do Porto. É o motor do Maus Hábitos para projetos de criação, apresentando mensalmente uma programação artística ativa dentro e fora da casa.
  • 8. A Mupi Gallery é uma galeria dedicada à imagem inaugurada em maio de 2015 no foyer da sala de espetáculos do Maus Hábitos, que acolhe, desde então, uma vasta programação de exposições individuais por artistas locais e internacionais em diferentes estados de emergência.

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