|Refinaria da Petrogal

Um ano após o encerramento, o balanço só pode ser negativo

«Poucos argumentos haverá para não reverter o encerramento da Refinaria da Petrogal do Porto, necessária tanto para a empresa como para o País», considera a Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal.

CréditosEstela Silva / Agência Lusa

É difícil encontrar alguma coisa positiva por entre todas as consequências directas do encerramento da Refinaria do Porto, em Matosinhos, há exactamente um ano. E a primeira foi logo o despedimento de centenas de trabalhadores da empresa, «empurrados para o desemprego com alegadas rescisões por mútuo acordo ou em forma de despedimento colectivo». 

Em comunicado, enviado ao AbrilAbril, a Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Petrogal relembra ainda que outros «milhares de trabalhadores de empresas prestadoras de serviço ficaram desempregados», atirando centenas de família para uma situação extremamente precária.

Desde o encerramento, a Galp já importou «centenas de toneladas de produtos petrolíferos», havendo já mesmo estações de serviço da Repsol a ser abastecidas «directamente a partir de Espanha, via camião-cisterna». «Mais de 20 produtos muito relevantes para a indústria nacional deixaram de ser produzidos em Portugal, apesar da sua valorização vertiginosa neste ano».

Mesmo em termos ambientais, não fica comprovada a ideia de que Portugal beneficiaria em termos ambientais. «A Refinaria do Porto era das mais eficientes em termos energéticos, logo em emissões de CO2 e o seu encerramento pouco ou nada determinou», como fica comprovado pela avaliação da Agência Internacional de Energia, de 2021: «as emissões terão um aumento record de 5% e deverão atingir os valores pré-pandemia do ano de 2019», anterior ao encerramente desta unidade.

Os trabalhadores lamentam que o Primeiro-Ministro tenha decidido remeter-se ao silêncio que já tinha mantido durante os nove meses de total conivência com a administração da empresa, «após um episódio de histerismo eleitoralista», que rapidamente passou. Em Dezembro de 2021, «a questão essencial para a CCT da Petrogal continua a ser a salvaguarda de todos os postos de trabalho, mesmo aqueles já despedidos e que devem ser reintegrados».

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