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Trabalhadores da refinaria de Matosinhos em risco de despedimento colectivo

A situação dos trabalhadores é «angustiante» porque continuam sem respostas quanto ao seu futuro e a receber «silêncio» por parte da empresa e do Governo.

CréditosJosé Pedro Rodrigues

«Ainda não existe nenhuma comunicação oficial da empresa, mas nas entrevistas individuais que a administração tem mantido com os trabalhadores é-lhes dito muito claramente que a alternativa à rescisão por mútuo acordo é o despedimento colectivo», afirmou o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte (SITE Norte/CGTP-IN) e da comissão de trabalhadores, Telmo Silva, na Assembleia da República.

Esse despedimento colectivo deverá ter início já «nos próximos tempos», após concluídas as entrevistas aos trabalhadores, sublinhou o sindicalista numa sessão conjunta das comissões de Trabalho e Segurança Social e Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação.

Segundo Telmo Silva, a administração da Galp tem estado a reunir individualmente com os trabalhadores, processo que deverá estar concluído na quarta-feira.

A partir desse dia, as comunicações a dar conta do despedimento colectivo deverão «começar a chegar em devido tempo», frisou, acrescentando não saber se «vai ser num momento só ou em vários».

A Galp anunciou em Dezembro de 2020 a intenção de concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos, distrito do Porto, este ano.

A decisão põe em causa 500 postos de trabalho directos e mil indirectos, conforme estimativas dos sindicatos.

Actualmente, cerca de 50 trabalhadores de outsourcing receberam, no início deste mês, cartas de despedimento, contou.

«É sempre a somar despedimentos. Não se tratam só dos trabalhadores da Petrogal, mas de todos aqueles que prestam serviço diariamente naquelas instalações através de outras empresas», afirmou.

A situação dos trabalhadores é «angustiante» porque continuam sem respostas quanto ao seu futuro e a receber «silêncio» por parte da empresa e do Governo, vincou.

O sindicalista questionou o porquê de o Governo não intervir na refinaria, onde é accionista, e acrescentou que a decisão de fechar a refinaria «nada tem a ver» com questões ambientais, mas sim interesses económicos.

Até porque o que vai acontecer é uma transferência de emissões para Sines e não a sua diminuição, alertou, acrescentando que o complexo petroquímico de Matosinhos é dos «melhores colocados» ambientalmente em termos europeus, sendo apenas responsável por 1,7% de emissões no País.

Além disso, há produtos que só a refinaria de Matosinhos produz e, com o seu fecho, estes vão ter de começar a ser importados aumentando não só os custos para o País, mas também as emissões com o tráfego marítimo.

Também Hélder Guerreiro, da Comissão Central de Trabalhadores da Petrogal, reafirmou não ter sido apresentada, até agora, nenhuma justificação válida para o encerramento do complexo petroquímico.

Os trabalhadores já organizaram quatro protestos: um junto à Câmara Municipal de Matosinhos, a 12 de jJneiro, outro a 2 de Fevereiro em frente à sede da Galp e à residência do primeiro-ministro, um terceiro a 25 de Fevereiro, junto à Câmara Municipal do Porto, e um último a 18 de Março, novamente frente à residência do primeiro-ministro.

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