CESP exige que se estenda a mais trabalhadores

Trabalhadores do Pingo Doce conseguem aumento de salários

De acordo com as reivindicações do CESP, são aumentados os salários aos novos trabalhadores contratados nas lojas e nos armazéns do Pingo Doce. O sindicato exige a actualização de todos os salários.

O CESP denuncia vários problemas que ocorrem nos locais de trabalho do Pingo Doce
O CESP denuncia vários problemas que ocorrem nos locais de trabalho do Pingo DoceCréditos

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), considera que a fixação do salário mínimo de entrada na empresa para 550 euros e 555 euros (dependendo de o trabalhador ser contratado para as lojas ou para os armazéns), é um primeiro passo, mas exige que a direcção do Pingo Doce e da Jerónimo Martins actualize todos os outros salários, pelo menos nos mesmos 15 euros agora decididos para as novas contratações.

Em comunicado, o CESP afirma não aceitar que a direcção da empresa «não valorize a experiência e a qualificação dos trabalhadores», relembrando que os operadores de supermercado de 2ª categoria auferem salários entre os 540 e os 550 euros; os operadores de supermercado de 1ª categoria auferem entre 545 e 570 euros; e os operadores de supermercado especializados (com mais de oito anos de serviço) recebem salários entre os 586 e os 630 euros.

O sindicato exige ainda que os lucros da empresa se reflictam no aumento de salários, uma vez que só no primeiro trimestre de 2016 esta viu os seus resultados líquidos subirem de 65 para 77 milhões de euros.

Outras reivindicações dos trabalhadores

Para além dos aumentos salariais, são várias as reivindicações que os trabalhadores e o CESP apresentam. São exemplo o aumento do subsídio de refeição, que não é revisto há mais de 5 anos; a equiparação da carreira profissional dos operadores de armazém à carreira profissional dos operadores de supermercado; 25 dias úteis de férias; e que os horários de trabalho sejam comunicados com 30 dias de antecedência e com dois dias de descanso semanal consecutivos.

Também reivindicam o fim da utilização abusiva da contratação a prazo para a ocupação de postos de trabalho permanentes e o fim do banco de horas.

A denúncia de incumprimentos e problemas nos locais de trabalho

O CESP afirma ainda no comunicado que o Pingo Doce se recusa a reunir com o sindicato, alegando não existirem problemas nos locais de trabalho e incumprimento das regras. No entanto, o sindicato dá vários exemplos daquilo que considera serem «atropelos».

Queixam-se das saídas de emergência estarem bloqueadas com paletes de mercadorias; dos trabalhadores há mais de seis anos aguardarem por sapatos e fardamento adequado, baseado num relatório de medicina de trabalho; e dos trabalhadores que ao abrigo do banco de horas trabalharam centenas de horas a mais e viram estas «desaparecer misteriosamente do sistema».

Denunciam ainda que os horários de trabalho mudam todos os dias, sem aviso prévio; que é exercida pressão sobre os trabalhadores que solicitam horário flexível; e que as remodelações de lojas, nomeadamente com a criação de pouco espaço para os trabalhadores operarem, agravaram as queixas ligadas às doenças músculo-esqueléticas.