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Trabalhadores devem «compensar horas» a pretexto do estado de emergência

Devido ao encerramento das lojas às 13h, aos fins-de-semana, a Giovanni Galli e o Auchan comunicaram que os trabalhadores deverão «compensar as horas» às empresas, denunciou o CESP.

Créditos / noticiasdecoimbra.pt

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços (CESP/CGTP-IN) denúncia que a Giovanni Galli (Vasconcelos & Gonçalves) pretende que os trabalhadores compensem as horas que não vão trabalhar por força do encerramento das lojas às 13h aos fins-de-semana, perdendo dias de descanso em Dezembro.

A medida que foi decretada no âmbito do estado de emergência está a servir de pretexto para esta pressão sobre os trabalhadores. O CESP refere, em comunicado à imprensa, que têm chegado denúncias de todo o País, de diversos locais de trabalho, de que os trabalhadores foram obrigados a trabalhar horas a mais na semana em curso para «compensar» as horas que não vão trabalhar durante o fim-de-semana.

Outros trabalhadores terão de «compensar» as horas no mês de Dezembro ou noutra data definida pela empresa, perdendo dias de descanso semanal.

O sindicato alerta ainda para o facto de a Giovanni Galli pretende agir «disciplinarmente contra os trabalhadores que não aceitem ficar a dever horas de trabalho à empresa ou que se recusem a trabalhar horas a mais para compensar as horas que não irão trabalhar no fim-de-semana por encerramento antecipado das lojas».

A exigência dos representantes dos trabalhadores passa por recorrer à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), para que penalize a empresa pelas ameaças feitas aos trabalhadores que não estão a aceitar cumprir ordens ilegais e contra os seus direitos.

Direitos dos trabalhadores não estão suspensos

Também o Auchan comunicou à maioria dos seus trabalhadores que estão obrigados a compensar as horas não trabalhadas no prazo de oito semanas.

Segundo o CESP, a empresa afirma que, como o País está em estado de emergência, «pode mexer nos direitos dos trabalhadores». Sublinhando que esta afirmação é uma «mentira», o sindicato lembra que «os direitos dos trabalhadores não estão suspensos».

«Voltamos aos velhos tempos, em que os hipermercados encerravam às 13h de domingo e o Auchan obrigava os trabalhadores a pagar as três horas em falta durante a semana. Foram obrigados a recuar na altura. Serão obrigados a recuar agora», pode ler-se no comunicado.

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