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Trabalhadores da Super Bock anunciam greve por melhores salários

A ausência de acordo para aumento salarial na Super Bock levou ao agendamento de uma greve com paragens parciais em todos os turnos entre 5 e 10 de Agosto, revelou o Sintab.

Trabalhadores da Super Bock em greve participam numa acção de protesto contra o ataque aos postos de trabalho, em frente à fábrica de Leça do Balio, 10 de Dezembro de 2020. A acção integra a semana nacional de luta da CGTP-IN.
Trabalhadores da Super Bock em greve participam numa acção de protesto contra o ataque aos postos de trabalho, em frente à fábrica de Leça do Balio, 10 de Dezembro de 2020. A acção integra a semana nacional de luta da CGTP-IN. CréditosJosé Pedro Rodrigues

«Os trabalhadores protestam assim contra o desrespeito da empresa pela lógica negocial e a não observância de paralelismo com a distribuição de lucros pelos accionistas», revela em nota o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (Sintab/CGTP-IN).

O pré-aviso de greve abrange a prestação de trabalho nos dias 5, 6, 7, 8, 9 e 10 de Agosto de todos os trabalhadores de todos os estabelecimentos da empresa Super Bock Bebidas, sediada em Leça do Balio (Matosinhos).

No documento, a organização sindical apresenta como justificação a luta por aumentos salariais, para todos os trabalhadores, a partir de Janeiro de 2021, como «valorização do trabalho» e «projecção da riqueza criada».

Declara ainda que a greve é «contra a posição irredutível da administração da Super Bock em não evoluir a sua proposta no sentido de a aproximar à dos trabalhadores, respeitando a lógica negocial que se exige, e os sindicatos empregaram».

Na nota hoje divulgada, o Sintab lembra que os sindicatos reivindicaram, em Novembro último, aumentos salariais de 90 euros e diversas melhorias nas cláusulas do acordo colectivo de trabalho, em que se destacam o direito a 25 dias úteis de férias e a 35 horas de trabalho semanal.

«Numa primeira fase, a empresa escusou-se na desculpa da pandemia para nem sequer se reunir com os sindicatos», algo que só veio a acontecer em Fevereiro deste ano, quando «apresentou uma proposta de aumento zero para 2021».

«Essa postura da empresa levou já a que os trabalhadores tenham estado em greve, durante o mês de Junho, e deliberado, em plenário, a necessidade de a empresa apresentar propostas de aumento salarial condizentes com a distribuição de lucros aos accionistas, que, em anos de pandemia, atingiram os valores mais altos de sempre», afirma o sindicato.

Em Julho – lê-se na nota –, a empresa apresentou uma proposta de aumento salarial ligeiramente acima da inicial, mas que o Sintab considera não ter respeitado «a lógica negocial», pelo facto de a administração «congelar a sua posição em valores que sabia estarem aquém dos mínimos aceitáveis pelos trabalhadores».

«A administração da Super Bock distribuiu, em 2020, o valor recorde de 55 milhões de euros em dividendos, pelos seus dois accionistas (Violas e Carlsberg) e 44 milhões de euros já em 2021», denuncia a estrutura sindical, lembrando que a empresa do sector das bebidas detém marcas como a Super Bock, Pedras e Somersby.

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