|direitos laborais

Trabalhadores da Scotturb exigem tempo para estar com a família

Horários que podem ir até às 60 horas semanais e intervalos de descanso alargados são algumas das propostas da administração, que recuam face ao actual Acordo de Empresa. 

Viatura da Scotturb, empresa rodoviária de transporte de passageiros que opera nos concelhos de Sintra, Cascais e Oeiras. Imagem de arquivo.
A Scotturb foi privatizada em 1995Créditos

A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans/CGTP-IN) afirma num comunicado que a proposta da administração da Scotturb procura «"legalizar" aquilo que tem procurado fazer por via dos contratos individuais de trabalho». 

Numa primeira apreciação do documento, a federação enumera alguns pontos que correspondem a um regresso ao passado em matéria de direitos laborais, como a duplicação do tempo experimental ou a divisão de algumas categorias profissionais por níveis, «nos quais os trabalhadores evoluem mediante apreciação da gerência, na base de critérios subjectivos, para os quais querem o nosso acordo», e a dilatação do intervalo de descanso. 

Segundo a federação, a Scotturb propõe que o intervalo de descanso seja de uma até cinco horas para os trabalhadores móveis e três horas para os fixos.  «Conjugando o horário de trabalho e o intervalo de descanso, temos uma amplitude de 17 horas, num dia de 24 horas. Então o tempo para descanso, para estar com a família?», indaga.  

Outro dos pontos em análise é o alargamento dos horários de trabalho. A Fectrans denuncia que são propostos horários que podem ir até às 60 horas semanais, «o que quer dizer que deixam de pagar extraordinário», ficando a empresa com «margem de manobra» para colocar os trabalhadores com horários de 12 horas, mais o intervalo de descanso, «sem ter necessidade de pagar qualquer trabalho extraordinário». 

A Scotturb é uma empresa de transportes urbanos colectivos de passageiros que opera sobretudo nos concelhos de Sintra, Cascais e Oeiras, resultante da privatização destes serviços em 1995. É detida actualmente pelo grupo Vega, que em 2017 adquiriu as empresas do grupo Vimeca.

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