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Trabalhadores da Petrogal exigem intervenção urgente do Governo e do PR

A Comissão de Trabalhadores lembra o interesse público da empresa e exige a reversão imediata do encerramento da refinaria do Porto e a garantia dos investimentos na refinaria de Sines.

Trabalhadores da Petrogal reúnem-se nas instalações da empresa para participar no plenário convocado para debater a decisão da Galp de encerrar definitivamente a refinaria de Leça da Palmeira, em Matosinhos, a 30 de Dezembro de 2020. Estão em causa 500 postos de trabalho directos e mais de mil em regime de prestação de serviços, além das micro, pequenas e médias empresas que produzem bens e serviços para a Petrogal
CréditosEstela Silva / Agência Lusa

A adopção destas duas medidas deverá constituir o «aspecto central» de uma estratégia com vista a assegurar as necessidades de abastecimento do País, em termos de combustíveis, até pelo menos ao final da década, refere a Comissão Central de Trabalhadores (CCT) da Petrogal, através de comunicado.

Uma vez que a defesa da empresa e dos trabalhadores «coincide com o interesse público», a CCT lembra que o Governo e o Presidente da República «têm grandes responsabilidades e devem agora assumi-las de uma vez, antes que seja tarde». 

A estrutura mostra-se apreeensiva com as últimas alterações na Comissão Executiva da empresa, sublinhando que «as duas administradoras demissionárias não aqueceram o lugar, mas particularmente uma delas deixou nas áreas comerciais uma marca de despedimentos e saída de trabalhadores sem precedentes», lê-se na nota. 

Também a saída do administrador com o pelouro da refinação, e a transferência desta área para outro, «denuncia um futuro ainda incerto para aquela área tão importante e vem no seguimento de outras decisões como o encerramento da refinaria do Porto, altamente lesivas do interesse nacional».

A CCT entende que a saída de três administradores, pouco mais de um mês após a apresentação do plano estratégico, mostra «desorientação e falta de capacidade do grupo Amorim quanto à definição de uma linha de futuro diferente da destruição da empresa». Acrescenta ainda que, pela variação do preço das acções do grupo desde o dia 2 de Junho, «os mercados já mostraram o que acham do plano estratégico e querem sangue». 

A maioria do capital é detido por entidades estrangeiras que, realçam os trabalhadores, estão interessadas «somente» no retorno em dividendos e, porventura, mais focadas «em negociar no mercado de futuros do CO2 na Europa (em forte alta)».

Nesse sentido, a CCT insiste que «não podem ser estes interesses a governar a empresa/grupo», e que «nada disto tem a ver» com a transição energética ou com as alterações climáticas, referindo-se antes a um «mecanismo altamente destrutivo para prosseguir um jogo onde muitos perdem, os trabalhadores e os povos, e poucos ganham, os capitalistas».

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