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Trabalhadores da Auchan em greve exigem respostas sem chantagem

Os trabalhadores da Auchan, dona dos hipermercados Jumbo, cumprem esta quinta-feira um dia de greve, pelo aumento dos salários e o fim da chantagem patronal nas negociações.

Concentração de trabalhadores da Auchan junto à sede
Concentração de trabalhadores da Auchan junto à sedeCréditos / CESP

Além da paralisação, os trabalhadores da Auchan realizaram hoje de manhã uma concentração de protesto, junto à sede da empresa em Alcântara, Lisboa, para exigir uma resposta ao caderno reivindicativo para 2018 e o cumprimento do contrato colectivo de trabalho (CCT) do sector.

Os trabalhadores afirmam que a Auchan «não assume qualquer compromisso de aumento dos salários e do subsídio de alimentação», remetendo as matérias para as negociações do CCT, que ela própria tem vindo a bloquear enquanto vice-presidente da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED).

A estrutura representativa dos patrões é acusada de bloquear as negociações e de, a troco do aumento dos salários, exigir várias contrapartidas, vistas como «inaceitáveis» pelos trabalhadores: redução do valor pago pelo trabalho suplementar e em dia de feriado para metade e a aceitação oficial do banco de horas como prática no sector.

Os trabalhadores, entre as reivindicações, exigem o aumento geral dos salários mínimo de 40 euros, de forma a repor o poder de compra perdido desde 2010, o fim da tabela B, que prevê menos 40 euros de salário em todos os distritos, excepto Lisboa, Porto e Setúbal, a progressão automática dos operadores de armazém até ao nível de especializado, e o fim da precariedade e da discriminação salarial entre trabalhadores com as mesmas funções.

Auchan infringe a Lei

Na resolução aprovada hoje pelos trabalhadores, a Auchan é acusada de não cumprir a lei e o contrato colectivo, ao impôr «horários ilegais», além de não dar uma resposta ao caderno reivindicativo para 2018.

Entre os exemplos, é apontada «a crescente desregulação dos horários, escalas com oscilações diárias, horários entre a 1h e as 6h, a recusa de horários flexíveis de acordo com a lei da parentalidade ou o não pagamento dos tempos de trabalho acumulados para terminar tarefas inacabadas».

A paralisação faz parte das acções de protesto convocadas pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN), no âmbito da quinzena de luta na grande distribuição, de 9 a 20 de Abril.

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