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TAP: Despedimento colectivo compromete futuro da companhia de bandeira

O Sitava considera que o despedimento colectivo de 124 trabalhadores da TAP «não se justifica», «é desumano» e garante que vai recorrer a todas as medidas que levem a empresa a reconsiderar.

Créditos / Bomdia.eu

O processo de despedimento colectivo de 124 colaboradores iniciado hoje pela TAP abrange 35 pilotos, 28 tripulantes de cabina, 38 trabalhadores da manutenção e engenharia e 23 funcionários da sede, segundo uma mensagem enviada pela administração aos trabalhadores.

«Lamentamos que a TAP tenha optado por esta medida, depois de ter já provocado mais de duas mil saídas da empresa, que tenha optado por mais esta descaracterização», afirmou à Lusa José Sousa, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava/CGTP-IN).

«Obviamente que o Sitava irá reunir com todos os seus associados e com o nosso corpo jurídico e iremos lutar contra este despedimento colectivo, porque entendemos que, além de desumano, ele não se justifica na empresa», acrescentou, sublinhando que o sindicato vai recorrer a «todas as medidas possíveis para levar a empresa a reconsiderar este processo».

«Entendemos que é uma medida errada. A TAP não tinha necessidade disto, é uma crueldade, a empresa precisa destes trabalhadores, hoje é notória a falta de mão-de-obra para executar trabalho», realçou o dirigente sindical, que disse ter sido surpreendido pelo anúncio desta medida, numa altura em que faltam trabalhadores em alguns sectores de actividade da companhia aérea.

Por sua vez, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) considerou o despedimento colectivo de 28 tripulantes da TAP «ilegal» e «sem fundamento» e disse que vai contestar junto dos tribunais.

A reestruturação da TAP nestes moldes e a submissão às imposições da União Europeia – a quem o Governo deu a conhecer a proposta mesmo antes de a apresentar à Assembleia da República e aos representantes dos trabalhadores – vai ao encontro do projecto de concentração e centralização do sector em três grandes companhias (Lufthansa, Air France/KLM e British/Iberia) que, ganhando dimensão e escala, teriam vantagens na competição a nível global.

O encerramento de fronteiras e as limitações na capacidade dos espaços físicos decorrentes da pandemia de Covid-19 levaram a esta realidade e, para impedir a destruição do sector, a grande generalidade dos governos disponibilizou, até Novembro de 2020, 173 mil milhões de euros em apoios directos a empresas públicas e privadas.

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