Passar para o conteúdo principal

|repressão patronal

Super Bock: sem saber lidar com «forte adesão» à greve, patronato chama a polícia

Três carros e uma carrinha de intervenção foram mobilizados pela Super Bock para intimidar os trabalhadores no piquete de greve. Sem sucesso – o piquete continuou a exercer o seu papel «de forma responsável, legal e pacífica».

Piquete de greve no dia 3 de Junho, na Super Bock. Leça do Balio, Matosinhos 

Créditos / SINTAB

A adesão à greve na fábrica da Super Bock provocou vários constrangimentos ao funcionamento da empresa. Para além dos trabalhadores da Super Bock, as várias empresas que prestam serviço na unidade de produção de Leça do Balio registaram também níveis de adesão muito significativos. Em comunicado enviado ao AbrilAbril, o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das indústrias da Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB/CGTP-IN) lamenta que o patronato não tenha tido a capacidade de «lidar com a expressão democrática e legítima do descontentamento dos trabalhadores».

Para tentar dissipar o efeito da greve geral, o sindicato explica que a Super Bock decidiu implementar «um controlo excepcional de entradas logo a partir da via pública, obrigando os trabalhadores a uma triagem ainda antes de chegarem às instalações». O resultado foram longas filas que se estenderam às vias circundantes e «chegaram mesmo à Via Norte».

O piquete de greve, composto por vários trabalhadores e dirigentes sindicais, continuou a funcionar «de forma responsável, legal e pacífica, contactando os trabalhadores e prestando-lhes esclarecimentos sobre a greve, num ambiente de respeito, proximidade e solidariedade», esclarece o SINTAB, algo que o patronato não podia tolerar.

Dirigindo-se aos integrantes do piquete num «tom de confrontação e intimidação absolutamente inadmissível», vários responsáveis da Super Bock terão proferido «afirmações ameaçadoras como "isto não fica assim"» e questionado a legitimidade de os dirigentes sindicais estarem no local, «numa tentativa deliberada de condicionar o seu exercício» do direito constitucional à greve.

«Não satisfeita com esta postura, a administração decidiu solicitar a intervenção policial, mobilizando para o local três viaturas da PSP e uma carrinha do Corpo de Intervenção», denuncia o sindicato. Ao chegar ao local, a polícia identificou «uma acção perfeitamente pacífica e legal. A legalidade do que estava a ocorrer foi tal que «não foi efectuada qualquer identificação, não foi levantado qualquer auto e não foi apontada qualquer irregularidade à actuação dos membros do piquete».

Para o SINTAB, o que aconteceu na Super Bock no dia da greve geral é «revelador do nervosismo de uma administração confrontada com
a força dos trabalhadores e com a dimensão da adesão» à acção de luta. Acrescenta que, apesar das pressões e das tentativas de intimidação, «a força colectiva dos trabalhadores continua a ser a principal resposta à arrogância patronal».

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui