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|Porto Rico

Milhares nas ruas de San Juan pela independência de Porto Rico

Exibindo bandeiras nacionais e gritando «Só sei três palavras em inglês: yankees go home», milhares de pessoas participaram este sábado na Marcha pela Independência de Porto Rico.

Os manifestantes exigiram em San Juan (Porto Rico) o fim do regime colonial e de um modelo que não beneficia os trabalhadores Créditos Pablo Martínez Rodríguez

A marcha, que coincidiu com o dia do nascimento do herói nacionalista Rafael Cancel Miranda (18 de Julho de 1930), realizou-se também em várias cidades norte-americanas, onde vivem cerca de seis milhões de porto-riquenhos.

Nas ruas de Viejo San Juan, a iniciativa juntou milhares de pessoas para reclamar a autodeterminação e a independência do país caribenho, entre canções de Bad Bunny e Residente a apelar à resistência contra as «forças intervencionistas».

A marcha, em que se viram bandeiras nacionais e de outros países vítimas do imperialismo, como Cuba, Venezuela, Palestina, Haiti e República Dominicana, percorreu diversas artérias da cidade antiga até chegar à sede do Tribunal Federal dos EUA, onde vários intervenientes se dirigiram aos participantes.

«O Secretário de Estado dos Estados Unidos serve como porta-voz de um governo que procura impor uma doutrina imperialista ao mundo inteiro», declarou Juan Dalmau Ramírez, secretário-geral do Partido Independentista de Porto-Riquenho.

Citado pela agência noticiosa local Inter News Service, o dirigente político acrescentou que, no caso de Porto Rico, essa doutrina é representada pela governadora Jenniffer González, e que os que ali estavam a reivindicar o direito de cada nacionalidade à sua plena dignidade e a conviver com outros povos em soberania são os que exigem a independência de Porto Rico.

«Há demasiados anos sob o jugo imperialista»

Durante a marcha, exibiu-se igualmente uma bandeira gigantesca alusiva ao Grito de Lares – quando, em 1868, esta ilha das Caraíbas proclamou a sua independência do domínio colonial espanhol –, enquanto uma faixa do Comité de Solidariedade com Cuba em Porto Rico defendia «Não à guerra contra Cuba, fim do bloqueio», refere a Prensa Latina.

«Temos de reivindicar aquilo em que acreditamos, que é a liberdade e a descolonização da nossa pátria. Estamos já há demasiados anos sob o jugo imperialista», afirmó Suheily Rodríguez, de 48 anos, membro do colectivo cultural citada pela TeleSur.

Por seu lado, Ángel Rodríguez, co-presidente do Movimento Independentista Nacional Hostosiano (MINH), recordou que Porto Rico está há 128 anos sob domínio colonial norte-americano e defendeu o direito do território a ser um «país livre».

Modelo económico beneficia grandes interesses, não o povo

«Num momento em que a política do ódio procura prevalecer nos Estados Unidos, em partes da América Latina e do mundo, só a independência nos garante a verdadeira democracia», refere a Declaração Política da Marcha pela Independência, que destaca a necessidade do «pleno reconhecimento dos direitos» das mulheres, das comunidades LGBTQ, dos afrodescendentes, dos imigrantes, «que também fazem parte deste povo».

O texto destaca a «crise cada vez mais evidente do sistema colonial», quando passam 128 anos sobre a dominação norte-americana, 74 sobre o «engano» do ELA (Estado Livre Associado) e dez sobre a imposição da Junta de Supervisão Fiscal, para intervir nas finanças públicas da ilha.

«O modelo económico baseia-se na extracção de riqueza para benefício dos grandes interesses, enquanto o povo sofre com a austeridade e a pobreza», denuncia a proclamação subscrita por cerca de vinte organizações.

Entre elas, contam-se o MINH, o Movimento Socialista dos Trabalhadores, a Jornada Se Acabaron Las Promesas, a Jornada Filiberto Ojeda Ríos, a Comuna Caribe, a Democracia Socialista, os Trabalhadores e Estudantes Comunistas pela Mudança Social, o Partido Revolucionário dos Trabalhadores Porto-riquenhos – Exército Popular Boricua (PRTP-Macheteros) e o Plan B Plan Independência, entre outros.

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