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Ministro recusa ter havido «experimentalismo», mas não tem relatório de teste-piloto

No Parlamento, o ministro da Educação disse não haver relatório sobre o teste-piloto do processo de digitalização do exame de Filosofia realizado no ano passado, apesar dos erros conhecidos. Fernando Alexandre decidiu avançar sem acautelar os erros do passado. 
 

Créditos Estela Silva / Agência Lusa

O ministro da Educação voltou a deslocar-se ao Parlamento para prestar esclarecimentos numa audição sobre o processo de digitalização e avaliação dos Exames Nacionais. Mais uma vez, Fernando Alexandre procurou impor uma narrativa sem adesão à realidade e relativizou os erros.

Logo na primeira resposta a Paula Santos, líder da bancada parlamentar do PCP, Fernando Alexandre, confrontado com as consequências da sua acção governativa, garantiu que não houve experimentalismo no processo de digitalização. Além de considerar que os problemas são um meio para atingir um fim proveitoso, o ministro revelou que não existe nenhum relatório sobre o teste-piloto do processo de digitalização do exame de Filosofia realizado no ano passado.

O frisson na sala do Senado, local onde decorreu a audição, foi geral, na medida em que os deputados não queriam acreditar que o Governo avançou para a digitalização da correcção dos Exames Nacionais sem ter em conta os problemas do ano passado.

Recorde-se que no ano lectivo passado testou-se o processo de classificação digital de exames de 20 mil alunos e os erros foram bastante semelhantes aos ocorridos agora em 350 mil provas de 166 mil alunos, ou seja, respostas que não acabam e itens que são classificados e desaparecem.

À data, e apesar dos erros identificados, o Ministério da Educação garantiu que o processo foi muito positivo e que os erros seriam corrigidos. O que a realidade comprovou é que o ministro não acautelou os problemas e as consequências são o caos total e a causa, além do desmantelamento da administração educativa, parece estar no ignorar do óbvio.

Na audição, o ministro, sacudindo responsabilidades governativas, acusou o ex-presidente do Júri Nacional de Exames de nunca ter dito quais foram as falhas no teste-piloto, no ano passado. A versão de Fernando Alexandre surge na sequência de uma entrevista à Rádio Renascença do ex-presidente do Júri Nacional dos Exames, Luís Duque de Almeida, na qual acusou o ministro de não ter solicitado «ao JNE qualquer balanço sobre a prova Filosofia».

Este elemento comprova, portanto, que, ao contrário do que foi dito pelo ministro, houve efectivamente experimentalismo com a vida de 166 mil estudantes, uma vez que as conclusões do teste-piloto não foram realizadas ou tidas em conta.  
 

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