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Super Bock acentua precarização e embaratecimento do trabalho, denuncia sindicato

Os trabalhadores da empresa A. Gaiteiro, que laboram nas linhas de enchimento e produção da Super Bock, «viram esta quinta-feira o seu espaço invadido por trabalhadores "mais baratos", sem quaisquer explicações».

Créditos / CGTP-IN

Os funcionários da A. Gaiteiro foram surpreendidos com a «invasão do espaço por outros, da empresa Servigaia, para aprenderem a executar as tarefas» que os primeiros desempenham há mais de 15 anos, denuncia numa nota à imprensa, hoje emitida, o Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (Sintab/CGTP-IN).

A estrutura sindical acrescenta que, embora «em absurdo atropelo da lei», sem terem realizado «qualquer comunicação prévia», «responsáveis das três empresas envolvidas assumiram já, no terreno, estarem em processo de mudança da empresa prestadora de serviços», sendo que a Servigaia assumiu a responsabilidade da prestação até aqui assegurada pela A. Gaiteiro.

Os trabalhadores desta empresa a laborar na Super Bock alcançaram, nos últimos anos, «importantes avanços no sentido da valorização dos seus salários», explica o Sintab, que sustenta a hipótese de a substituição dos trabalhadores ser uma «clara retaliação pela ousadia de terem lutado por melhores salários e condições de trabalho».

Da integração à substituição por trabalhadores com contratos precários e baixos salários

O sindicato lembra ainda que, na sequência de um plenário realizado em 2017, no qual os trabalhadores da Super Bock reivindicaram a passagem de todos os trabalhadores precários aos quadros efetivos da empresa, e das negociações mantidas entre Sintab e Super Bock, mais de 20 trabalhadores já tinham sido integrados, «sendo que, em relação aos restantes 36, a empresa havia já assumido o compromisso de os integrar entre Janeiro e Março de 2020».

Neste sentido, a organização sindical refere-se à actual situação como «um grave e despudorado atropelo aos compromissos institucionalmente assumidos» por parte da Super Bock e sublinha que os trabalhadores da A. Gaiteiro «têm direito a um contrato efectivo, por desempenharem, alguns há mais de 15 anos, uma tarefa permanente, inseridos nas equipas de produção da Super Bock, e recebendo ordens e instruções dos seus responsáveis».

Segundo alguns trabalhadores, «esta e outras acções de emagrecimento dos recursos» estarão relacionados «com aquilo que aparenta ser uma intenção de venda da totalidade da cota de acções, ainda em mãos nacionais, para as mãos da Carlsberg, que terá imposto condições para aceitação do negócio», lê-se na nota.

No entanto, o Sintab não se mostra disposto a aceitar que «as variações de humor da família capitalista nacional, a propósito do aumento dos lucros, já de si obscenos, se reflictam na extrema vergonha de subtrair o futuro e a felicidade aos trabalhadores e suas famílias».

Os trabalhadores da Super Bock, cujo posicionamento reflecte o da estrutura sindical, «reivindicam a inclusão destes trabalhadores nos quadros da sua empresa» e, tendo em conta a situação actual, decidiram marcar um plenário para a próxima segunda-feira, dia 30, revela ainda a nota.

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