Quase 90% de adesão na greve dos «call centers» da EDP

Os trabalhadores dos «call centers» da EDP, contratados através da Randstad, realizaram greve e concentraram-se junto à administração da EDP e na Assembleia da República. Em causa está o combate à precariedade.

Trabalhadores concentram-se em protesto junto da sede da EDP e da Assembleia da República
Trabalhadores concentram-se em protesto junto da sede da EDP e da Assembleia da RepúblicaCréditos / SIESI

Várias centenas de trabalhadores aderiram às concentrações. A adesão à greve foi de quase 90% e em algumas equipas chegou aos 100%. 

Estes trabalhadores encontram-se em regime de prestação de serviços há mais de 25 anos «sem que a EDP assuma qualquer responsabilidade social e laboral sobre eles», afirma o Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI). O sindicato denuncia que é uma  falsa prestação de serviços quando se tratam de necessidades inerentes, essenciais e necessárias para a EDP e os seus clientes. 

Os trabalhadores entregaram na administração da EDP e na Assembleia da República moções em que espelham as suas reivindicações, dirigidas respectivamente ao Conselho de Administração e aos grupos parlamentares.

«Alguns de nós, e não poucos, prestamos trabalho para a EDP – Energias de Portugal há mais de vinte anos, em actividades de primeira linha e imprescindíveis»

Exerto da moção entregue aos grupos parlamentares

 Os trabalhadores com vínculo laboral, na esmagadora maioria dos casos a termo incerto, à empresa Randstad protestaram com o objectivo expor o contexto de elevada precariedade em que laboram os cerca de 1500 trabalhadores adstritos ao contrato de prestação de serviços celebrado entre aquela multinacional de trabalho temporário e o utilizador EDP.

«Alguns de nós, e não poucos, prestamos trabalho para a EDP – Energias de Portugal há mais de vinte anos, em actividades de primeira linha e imprescindíveis para que aquela cumpra as suas obrigações legais de distribuidor e comercializador de energia, assegurando ainda actividades internas que garantem o funcionamento dos seus próprios serviços (recursos humanos, frota, etc.)», encontra-se escrito numa das moções.

 Também se encontram em greve «contra a intransigência da administração em aumentar os salários, que não são revistos desde 2012, em trinta euros mensais, limitando-se a aplicar um aumento de um euro por mês à grande parte dos trabalhadores que apesar do seu elevado grau de qualificação académica e profissional, auferem o salário mínimo nacional», refere ainda o documento entregue na Assembleia. 

«Também se encontram em greve «contra a intransigência da administração em aumentar os salários, que não são revistos desde 2012»

Os trabalhadores reivindicam a integração no quadro do pessoal da EDP, afirmando que não só se identificam como trabalhadores daquela empresa  junto dos seus clientes, como realizam, exclusivamente, tarefas e operações correntes na actividade do utilizador. Para além disto, os trabalhadores prestam actividade em instalações pertencentes à EDP, os equipamentos e instrumentos de trabalho são propriedade da EDP e o seu horário de trabalho é determinado pelas necessidades da EDP, «o que indicia a existência de contratos de trabalho com o utilizador dissimulados em prestação de serviços pela Randstad». 

A EDP lucrou no primeiro semestre 472 milhões de euros, um resultado 20% inferior ao do mesmo período do ano passado, que a empresa justifica principalmente com o registo em 2015 de resultados extraordinários que já não se verificaram em 2016. Numa base comparável, o lucro do grupo sem efeitos extraordinários ascendeu a 517 milhões de euros até Junho, e foi 20% superior ao resultado recorrente apurado na primeira metade de 2015.

António Mexia, em 2015, arrecadou remunerações brutas acima dos dois milhões de euros. Neste valor incluía-se um bónus extra de 360 mil euros justificado pelas «qualidades de liderança e visão estratégica» do gestor.