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Lucros aumentam mas salários não

Protestos da Fiequimetal exigem melhores condições na indústria

Centenas de dirigentes e delegados sindicais participaram nesta quinta-feira na manifestação nacional da Fiequimetal, realizada em Lisboa, na qual os manifestantes denunciaram a actuação patronal e reivindicaram melhores salários e condições de trabalho para o sector da indústria.

As acções de protesto foram organizadas pela Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas (Fiequimetal/CGTP-IN).
As acções de protesto foram organizadas pela Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas (Fiequimetal/CGTP-IN).Créditos

A campanha nacional da Fiequimetal, «Março: mês de esclarecimento, acção e luta», arrancou ontem à tarde com várias acções de protesto em Lisboa, nas quais foram entregues as reivindicações dos trabalhadores a duas associações patronais do sector (Groquifar e ANIMEE) e ao Governo.

A primeira concentração, que também serviu de ponto de início para a manifestação, foi junto à sede da Groquifar, tendo depois seguido para a sede da ANIMEE e, mais tarde, rumo ao Ministério do Trabalho, onde terminou o percurso com a entrega de um documento.

Neste, os representantes dos trabalhadores deixaram claro que o Governo tem de ir mais longe na «reparação das injustiças» e na criação de «condições para revogar as normas gravosas do código do trabalho». Só assim será possível garantir os direitos e as condições de trabalho que «não sejam geradoras de mais acidentes de trabalho e doenças profissionais».

No fim, os manifestantes fizeram ainda uma paragem junto à sede da EDP, onde decorria a apresentação dos lucros referentes a 2017, que foram de 1,113 mil milhões de euros. O protesto serviu para exigir maiores aumentos salariais, considerando «vergonhosa» a proposta da EDP que não vai além de 0,8%, mas também para contestar a crescente precarização do trabalho, com maior recurso a empresas prestadoras de serviços, e para reivindicar a integração nos quadros dos trabalhadores que sustentam a empresa.

Lucros aumentam mas salários não

Apesar das empresas do sector obterem «lucros e resultados líquidos de milhões de euros», afirma a Fiequimetal, «só uma parte muito pequena reverte para os trabalhadores» que auferem salários baixos comparados com o valor daquilo que produzem. Situação agravada com a crescente imposição de horários longos e desregulados.

Perante isto, entre as várias reivindicações, os trabalhadores do sector exigem aumentos minímos de 50 euros, a redução do tempo de trabalho para a progressão das carreiras dos operadores e técnicos, horários humanizados e a integração nos quadros efectivos dos trabalhadores com vínculos precários.

A Fiequimetal acusa ainda as associações patronais e as grandes empresas de, perante a necessidade de aumentos, bloquearem a negociação colectiva, usando a caducidade dos contratos a seu favor como chantagem e exigindo «um porco para darem um chouriço» em troca.

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