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Promessas para 2027 não pagam contas. CGTP reclama aumento salarial imediato

Mais do que discutir cenários sobre a actualização do salário mínimo nacional no próximo ano, a Intersindical admite que é preciso discutir o tempo presente e exige uma actualização imediata para 1050 euros. 

Créditos Manuel de Almeida / Lusa

O aumento intercalar do salário mínimo nacional para 1050 euros, com efeitos imediatos, mas também o aumento de todos os salários que ainda não tenham sido actualizados este ano em pelo menos 15%, num montante nunca inferior a 150 euros, são exigências da CGTP-IN face à erosão salarial que se tem verificado, admitindo que os trabalhadores «não esperam por 2027 para viver». 

«A realidade dura que os trabalhadores hoje enfrentam, exigem medidas já», declarou a central sindical num comunicado divulgado esta sexta-feira. Como tal, defende que, mais do que discutir a revisão do salário mínimo nacional em 2027, «cujo valor previsto a CGTP-IN nunca subscreveu e sempre considerou insuficiente», importa recolocar a discussão no tempo presente. 

É uma reacção à posição do grande patronato, que esta semana descartou para 2027 um salário mínimo nacional além de 970 euros, que hoje já seria insuficiente tendo em conta a escalada dos preços dos bens essenciais. Recorrendo ao estafado argumento da produtividade (cuja evolução tem estado acima do que os trabalhadores recebem), Armindo Monteiro, da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), defendeu não existirem condições para avançar com uma subida do salário mínimo.   

Mas, «enquanto o Governo e as Confederações Patronais se entretêm com cenários para o próximo ano, as famílias e os trabalhadores continuam a ser esmagados pela escalada galopante dos preços dos bens essenciais», critica a CGTP-IN, registando que «a alimentação, a habitação e os combustíveis não param de subir, corroendo o poder de compra de todos os que vivem do seu trabalho». Acrescenta que «não há promessas para 2027 que paguem as contas do supermercado, a renda da casa ou a prestação ao banco, ou que permitam colocar combustível para as deslocações para o trabalho que tantos trabalhadores têm de fazer em viatura própria pela inexistência de transportes públicos que o permitam».

A central sindical liderada por Tiago Oliveira observa ainda que, apesar das actualizações insuficientes, o salário mínimo continua a ser o motor da evolução salarial em Portugal, mas não basta subi-lo se o quadro legal «continua a asfixiar a negociação colectiva».

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos ao primeiro trimestre deste ano mostram que o salário base bruto mediano estava apenas 80 euros acima do salário mínimo nacional, demonstrando assim que 50% dos trabalhadores têm um salário base bruto inferior a 1000 euros.

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