A convocação de uma greve às horas extraordinárias na Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Ave afigurou-se inevitável para os médicos da instituição. O objectivo, refere nota do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN/FNAM), é «travar a utilização sistemática do trabalho suplementar para suprir carências estruturais de recursos humanos e falhas de planeamento».
Um exemplo maior da falta estrutural de profissionais nesta ULS, instituição do SNS que abrange o Hospital da Senhora da Oliveira e os centros de saúde dos concelhos de Guimarães, Fafe, Cabeceiras de Basto, Vizela, Mondim de Basto e Celorico de Basto, foi a decisão da administração de bloquear os médicos de Medicina Geral e Familiar das Unidades de Saúde Familiar (USF) do Alto Ave de gozarem férias que estavam previamente acordadas, entre os dias 19 e 31 de Dezembro.
«O trabalho extraordinário deve ser excecional e voluntário, não podendo constituir uma resposta permanente às dificuldades de funcionamento dos serviços», defende o sindicato.
A recusa dos médicos de Medicina Geral e Familiar em fazer das horas extra uma norma passa também por «proteger a qualidade e a segurança dos cuidados prestados à população, rejeitando a sobrecarga dos profissionais e defendendo o cumprimento da legislação laboral e dos acordos coletivos de trabalho»
O SMN exige que «qualquer reforço da actividade assistencial, incluindo carteiras adicionais de serviços, resulte de processos de negociação efectiva com os médicos e as equipas, e não de imposições unilaterais ou formas de coação». O sindicato espera ainda que não se registem «quaisquer ameaças de processos disciplinares ou outras formas de intimidação sobre médicos que exercem direitos legalmente consagrados». O pré-aviso de greve já foi entregue e está em vigor até o dia 31 de Dezembro de 2026.
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