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Greve nos CTT por aumentos salariais

Os trabalhadores dos CTT vão estar em greve nos dias 30 de Novembro, 2 e 3 Dezembro, em defesa de aumentos salariais e do reforço do número de trabalhadores que asseguram o serviço postal.

Protestos de hoje foram antecedidos nos últimos meses por dezenas de protestos de utentes por todo o País
Protestos de hoje foram antecedidos nos últimos meses por dezenas de protestos de utentes por todo o País CréditosANTONIO COTRIM / LUSA

De acordo com o dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN), Vitor Narciso, a greve anunciada esta terça-feira deverá ter «um grande impacto» no atendimento, bem como no tratamento e distribuição de correspondência. «Mas é essa a intenção, para que a empresa perceba a indignação dos trabalhadores», admitiu ao AbrilAbril.

O sindicalista sublinha que os trabalhadores querem «repor a normalidade» nos CTT no que toca à contratação colectiva e à qualidade do serviço público prestado à população.

«Faltam trabalhadores, o serviço público está comprometido e é preciso uma tomada de posição do Governo para reverter esta situação», regista, lembrando que o contrato de concessão termina em Dezembro e que se exige que este serviço volte ao controlo público.

Apesar de, nos últimos quatro anos, a gestão privada dos CTT ter incumprido os padrões de qualidade, o dirigente denuncia que continua «a fazer chantagem», exigindo mais dinheiro do Governo para cumprir as obrigações.

Vitor Narciso lembra que o processo negocial se arrastou desde o início do ano e acabou sem qualquer acordo, já em fase de conciliação do Ministério do Trabalho, com a empresa a alegar falta de liquidez para os aumentos salariais.

«A empresa disse que não tinha dinheiro, mas pouco depois distribuiu prémios, com critérios subjectivos, e antecipou o pagamento do subsídio de Natal, parece que o problema não seria a alegada falta de liquidez, mas sim a falta de vontade de aumentar os salários», afirmou.

Segundo Vitor Narciso, a proposta sindical desceu, na última reunião de conciliação, para um aumento salarial de 20 euros por trabalhador, retroactivo a 1 de Junho de 2020, em vez de Janeiro.

«Mesmo assim a empresa não aceitou, mas os trabalhadores não se conformam em não ter aumento este ano», insiste, lembrando que, desde a privatização dos CTT, em 2013, os trabalhadores tiveram um crescimento salarial de 5,3% ao longo de oito anos. No mesmo período foram distribuídos dividendos no valor de 360 milhões de euros, acrescentou o sindicalista.

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