|União das Misericórdias Portuguesas

Greve nacional e concentração dos trabalhadores das Misericórdias

Os trabalhadores «não podem continuar a assistir a uma campanha pública de palmadinhas nas costas e de glorificação» pelos mesmos patrões que se recusam a aumentar os salários. Greve é já na sexta-feira.

Concentração das trabalhadoras da União das Misericórdias Portuguesas, em Lisboa
Concentração das trabalhadoras da União das Misericórdias Portuguesas, em LisboaCréditos / CESP

Muito embora a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS/CGTP-IN) tenha avançado, várias vezes, com processos de conciliação na Direcção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, «com o objectivo de negociar tabelas remuneratórias e outras matérias pecuniárias, a União das Misericórdias Portuguesas (UMP) e as direcções das Misericórdias têm negado qualquer acordo que vise aumentos salariais dignos».

No dia 4 de Março, sexta-feira, estes trabalhadores vão avançar para greve nacional, com concentração no Campo Pequeno, em Lisboa, a partir das 15h, porque considerarem inaceitável a situação que a UMP lhes impinge.

«Estes trabalhadores não podem continuar a ser sujeitos à anulação deliberada das suas competências profissionais, dos anos de profissão e do seu percurso profissional, como o que está a ser feito, quando se lhes nega sistemática e anualmente a valorização salarial a que têm direito por via da contratação colectiva». Mais de metade da tabela remuneratória nas Misericórdias já foi absorvida pelo Salário Mínimo Nacional.

O mais gritante em toda esta situação, para além da perseguição dinamizada a trabalhadores em várias destas instituições, é que, «sob a capa da inevitabilidade e dos custos, as Misericórdias têm sistematicamente encaixado nos seus cofres os aumentos anuais das comparticipações do Estado através dos acordos de cooperação».

Nos últimos anos, estes apoios foram na ordem dos 3,5%, sendo que, «entre 2019 e 2021, as instituições do sector social, em que se incluem as Misericórdias, tiveram apoios financeiros na ordem dos 11%, mais que nos anos anteriores». 

Como é que estes valores, substanciais, nunca reverteram para os trabalhadores? Eles que são «o elemento estruturante e central da actividade desenvolvida por estas instituições»? A greve nacional de todos os trabalhadores da UMP terá lugar no dia 4 de Março, com concentração em Lisboa, a partir das 15h.

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