|União das Misericórdias Portuguesas

Greve nas IPSS e Misericórdias obteve elevada adesão

Milhares de trabalhadores das Instituições Particulares de Solidariedade Social e Misericórdias estiveram em greve esta sexta-feira, para exigir o aumento dos baixos salários e melhores condições.

Concentração realizada junto ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social
Concentração realizada junto ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade SocialCréditos

A greve de 24 horas, convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS/CGTP-IN), contou ainda com uma manifestação realizada ontem à tarde, junto ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, em Lisboa.

Em declarações ao AbrilAbril, António Macário, da FNSTFPS, sublinhou que a greve nacional nas Misericórias e Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) registou uma «muito boa adesão». Todavia, frisou que «não é possível avançar com números exactos» visto que se trata de um «sector amplo com mais de seis mil IPSS e 370 Misericórdias».

«Os trabalhadores do sector social têm vindo a ser sujeitos a uma política de baixos salários. Não fosse a valorização do salário mínimo nacional, pelas tabelas salariais em vigor nas IPSS e das Misericórdias mais de metade dos trabalhadores estariam a receber muito abaixo», denunciou.

Em comunicado, a FNSTFPS frisa que «o Governo pôs à disposição do sector social, onde se incluem as IPSS e Misericórdias, cerca de 1,5 mil milhões de Euros em cada ano», representando uma actualização anual dos valores das respectivas comparticipações. Em 2017 e 2018 foram de 2,1% e 2,2%, mas novamente não houve qualquer aumento salarial para os trabalhadores.

«A transferência para o Sector Social de avultadas verbas e de serviços têm de ter em conta os trabalhadores, os seus salários e carreiras, porque são estes os principais agentes da execução das funções e serviços sociais que as IPSS e Misericórdias praticam, exigindo-lhes empenho, solidariedade, disponibilidade constante, num mundo de trabalho que, quer se queira ou não, tem particularidades de grandes exigências», lê-se.

Entre as reivindicações, os trabalhadores do sector social exigem aumentos salariais de 4%, a valorização das carreiras e o fim do desrespeito pelos seus direitos que estão contemplados na contratação colectiva, dando como exemplo de abusos a ausência de diferenciação salarial entre as categorias profissionais, pela antiguidade e a elevada carga horária.

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