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Greve «histórica» nas Águas de Portugal

A adesão dos trabalhadores nesta terça-feira está muito acima das expectativas, relatam os sindicatos, que afirmam que a greve é a maior alguma vez feita no grupo Águas de Portugal.

Concentração com dezenas de trabalhadores junto à ETAR de Alcântara
Concentração com dezenas de trabalhadores junto à ETAR de AlcântaraCréditos / STAL

A paralisação de hoje nas empresas do grupo Águas de Portugal, convocada pela comissão intersindical, com o apoio da comissão de trabalhadores, está a ter uma enorme adesão em vários pontos do País, com dezenas de equipamentos apenas a funcionar com os serviços mínimos.

A ausência de uma resposta da administração da Águas de Portugal (AdP) à carta reivindicativa foi a última gota de água para os trabalhadores que, em plenário, já tinham avisado esperar algo de positivo como única forma de evitar a greve.

Durante a manhã de hoje, os trabalhadores das várias empresas que compõem o grupo realizaram múltiplas concentrações, nomeadamente da Águas do Tejo Atlântico – ETAR de Alcântara, em Lisboa, da Águas da Região de Aveiro e da Águas do Centro Litoral, ambas localizadas em Aveiro, na Águas do Douro e Paiva, em Gaia, e na sede da SIMARSUL, no Seixal.

Greve Histórica com adesões de 100%

Joaquim Sousa, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local (STAL/CGTP-IN), em declarações ao AbrilAbril, afirmou tratar-se de uma greve que, em vários aspectos, «já fez História».

«Pela primeira vez, aconteceu que os trabalhadores organizaram uma greve conjunta das empresas da Águas de Portugal, e, por outro lado, em termos de adesão está muito próxima dos 100%, com dezenas de equipamentos e ETAR apenas a funcionar com os serviços mínimos exigidos por lei».

Concentração realizada junto à Águas do Centro Litoral

Entre os equipamentos mais afectados, o dirigente salientou que, no primeiro turno, na Águas do Tejo Atlântico (ETAR de Alcântara) e na Águas do Douro e Paiva (ETAR de Gaia Litoral), a operação ficou reduzida aos serviços mínimos.

Os objectivos do protesto passam pelo aumento dos salários, congelados desde 2009, o fim das discriminações remunatórias entre trabalhadores com as mesmas funções e antiguidade, pela regularização de todos os vínculos precários, a uniformização dos subsídios, a aplicação das 35 horas semanais e a contratação urgente de mais pessoal.

Serviços de qualidade com salários de miséria

Os trabalhadores afirmam também que «a reestruturação do Grupo Águas de Portugal aumentou consideravelmente o âmbito geográfico das empresas, impondo aos trabalhadores deslocações e alterações dos locais de trabalho e de horários», criando mais «situações de discriminação, em que trabalhadores com as mesmas funções e antiguidade auferem remunerações muito diferentes».

«A degradação das condições de vida dos trabalhadores é tanto mais intolerável quanto o grupo nunca deixou de ter resultados positivos ao longo da última década», salientam, resultando em «lucros chorudos à custa dos trabalhadores», entre os quais apontam: 500 milhões de euros na AdP em seis anos; 50,1 milhões de euros na Empresa Portuguesa das Águas Livres (EPAL) em 2017; seis milhões de euros  na Águas do Tejo Atlântico, em apenas seis meses.

O protesto tem o apoio da comissão Intersindical da AdP, abrangendo vários sindicatos da CGTP-IN: SITE CSRA, SITE Sul, SITE Norte, SIESI, CESP, STAL.

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