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Greve encerra Tapada de Mafra

A greve dos trabalhadores da Tapada Nacional de Mafra levou ao encerramento das instalações esta quarta-feira. Exigem a demissão da directora, a quem acusam de má gestão e assédio moral.

Trabalhadores em greve concentraram-se à porta da Tapada Nacional de Mafra
Trabalhadores em greve concentraram-se à porta da Tapada Nacional de Mafra Créditos / STFPSSRA

A greve foi marcada para hoje para evocar a data do trágico incêndio que, em 2003, consumiu cerca de 70% da área florestal da Tapada de Mafra, e a ela aderiram 13 dos 15 trabalhadores.

«O estado de desgoverno em que se encontra esta instituição com mais de 200 anos faz temer que, em caso de calamidade, os danos possam ser mais devastadores do que os decorrentes do incêndio de 2003, devido à inoperacionalidade de meios», lê-se na nota do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA/CGTP-IN) aquando da convocatória da paralisação.

Entre as reivindicações subjacentes à greve contam-se a defesa do vínculo público da instituição, o fim das práticas de assédio moral, a melhoria das condições de trabalho, a contratação de pessoal, a defesa do património ambiental e edificado e o cumprimento do Plano Operacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PODFCI).

Em causa está a decisão da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) que, em Fevereiro deste ano, condenou a presidente da Tapada de Mafra «pela prática reiterada de assédio moral», sem que disso tenham sido retiradas quaisquer consequências.

A decisão da ACT ocorreu na sequência de uma queixa apresentada pelos trabalhadores e, «sete meses depois do despacho de condenação, o ministro da Agricultura ainda acha que não é altura para tomar decisões e anda a protelar a sua demissão», apesar de ter afirmado que o faria «no minuto seguinte, se [o assédio] fosse provado», lê-se no comunicado do sindicato.

Quanto à gestão ambiental, a estrutura sindical afirma serem «por demais evidentes as más opções», enumerando o «corte de sobreiros vivos», a «sistemática ameaça ao único casal de açor, por práticas de gestão que potenciam a perturbação, principalmente nos períodos críticos de nidificação», a «alimentação deficiente de cervídeos e javalis», a «limpeza do lago onde vivem e se reproduzem anfíbios», o «corte dos arbustos e florestação envolventes de uma charca» ou a «instalação de [materiais para a prática de] arborismo em árvores consideradas doentes».

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