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Função pública manifesta-se esta sexta-feira contra o empobrecimento

Do Marquês de Pombal até à Assembleia da República, em Lisboa, os trabalhadores da Administração Pública vão exigir o aumento urgente dos salários em 90 euros, entre outras reivindicações. 

A Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP-IN) realizou um plenário de sindicatos em frente ao Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública onde foi aprovada uma resolução a entregar à tutela, Lisboa, 9 de Outubro de 2020.
CréditosTiago Petinga / Agência Lusa

Após mais de uma década de estagnação salarial e depois de o Instituto Nacional de Estatística (INE) ter confirmado uma taxa de inflação homóloga de 5,3% para Março, a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP-IN) reclama que o Governo tome medidas urgentes para travar o empobrecimento dos que garantem o funcionamento dos serviços públicos. 

«O caminho do empobrecimento dos trabalhadores, em que o Governo quer insistir significa, para os trabalhadores da Administração Pública, 15,4% de perda do poder de compra, desde 2009», refere num comunicado a propósito da acção de luta, salientando que, nalgumas categorias e sectores, as perdas «são ainda mais expressivas».

Amanhã, os trabalhadores da função pública concentram-se no Marquês de Pombal, a partir das 14h30, havendo também um pré-aviso de greve de 24 horas, a partir da meia-noite. Tendo em conta que «tudo aumenta, menos os salários», a Frente Comum rejeita que sejam os mesmos de sempre a fazer sacrifícios, criticando a afronta dos 0,9%, que «agrava a perda de poder de compra em 2022», e o Orçamento do Estado do Governo PS, que «recusa a valorização dos trabalhadores e dos serviços públicos».

Por haver «dinheiro e demais condições para fazer uma política diferente», os trabalhadores públicos apelam ao Governo que opte pela valorização dos salários e exigem o aumento urgente de 90 euros para todos.

A esta reivindicação junta-se a revogação do SIADAP (Sistema Integrado de Gestão e Avaliação do Desempenho na Administração Pública) e a substituição por um sistema de avaliação sem quotas, já que estas impedem a progressão na carreira da esmagadora maioria dos trabalhadores. A par de um sistema de avaliação «formativo, transparente, equitativo e justo», reclamam a correcção da tabela remuneratória única respeitando a lei, ou seja, valorizando os salários e garantindo a proporcionalidade entre os escalões remuneratórios.

A Frente Comum denuncia que «muitos milhares» de trabalhadores passam toda a sua carreira sem receber mais do que o salário mínimo nacional, enquanto outros, com décadas de experiência, «ganham o mesmo que quem agora entrou». 

A valorização das carreiras, o financiamento adequado dos serviços públicos e o reforço das funções sociais do Estado integram também o corpo de exigências que levam os trabalhadores à rua, esta sexta-feira. A Frente Comum reclama o fim da promiscuidade entre os sectores público e privado em todos os sectores da Administração Pública, salientando o resultado de anos de política de direita. «Impuseram o desinvestimento nos meios técnicos e humanos dos serviços públicos, na precarização dos vínculos, no encerramento de serviços, com óbvio prejuízo para os trabalhadores e as populações», denuncia.

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