Sob o mote «Ciência com direitos para os Desafios Globais», trabalhadores científicos vão concentrar-se hoje em Lisboa, Porto, Aveiro e Coimbra (ver caixa lateral) pelo reconhecimento social do seu trabalho e pela urgente integração em carreiras, mas para exigir também o reforço do financiamento do Ensino Superior e da Ciência.
Promovida pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN), em conjunto com a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) e a
Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (CGTP-IN), a iniciativa visa alertar Governo e opinião pública para «os muitos e graves problemas que afectam a ciência e os trabalhadores científicos em Portugal, doutorados e não doutorados».
A federação reforça a justeza das iniciativas marcadas para esta sexta-feira com um dos objectivos destacados na página oficial da Noite Europeia dos Investigadores, de «sensibilizar os mais jovens para a relevância da investigação e inovação, com vista a um futuro mais sustentável e inclusivo, mas também para o facto de as carreiras científicas poderem ser determinantes para encontrar soluções que minimizem problemas da sociedade». «Precisamente por reconhecer o papel determinante das carreiras científicas e, opondo-se a ele, a desvalorização das mesmas em Portugal, a Fenprof vai realizar esta acção de sensibilização, em conjunto com outras estruturas do sector», frisa.
Num documento em que elencam reivindicações para acabar com a precariedade enquanto «obstáculo ao futuro da ciência», exigindo, por exemplo, a regularização imediata dos vínculos precários de todos os trabalhadores com funções permanentes, entre outras medidas, e reforçar o investimento na ciência, as três organizações criticam a centralização do poder, a «ausência de transparência» e a «erosão da democracia interna». Neste âmbito, reclamam medidas como a revogação «dos mecanismos de gestão antidemocráticos introduzidos pelo RJIES [Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior] e a construção de instituições de Ensino Superior «orientadas por modelos colegiais, participados e transparentes, centrados na produção e transmissão de conhecimento crítico».
Entre outras questões, os investigadores rejeitam a «instrumentalização da ciência por lógicas mercantilistas, concorrenciais e armamentistas» é outra das exigências afirmadas pelos investigadores.
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