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ABIC pede veto presidencial da nova Lei da Ciência

Numa carta enviada ao Presidente da República, a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) contesta a exclusão da associação e de estruturas sindicais do processo de discussão do diploma aprovado este mês em Conselho de Ministros.

Créditos Fernando Veludo / Agência Lusa

O Governo «mantém os trabalhadores científicos afastados da discussão pública e da participação democrática num dos mais importantes diplomas da sua área», denunciou a ABIC num comunicado enviado às redacções ao final da tarde desta quarta-feira. Nele informa que enviou uma carta ao Presidente da República, António José Seguro, em que recomenda a não promulgação do decreto de lei onde consta a nova Lei da Ciência. 

«Cabe ao Governo assegurar um processo de discussão transparente, público e participado, envolvendo as organizações representativas dos investigadores e demais trabalhadores científicos, antes da aprovação de qualquer novo enquadramento legal», defende a ABIC.

A associação recorda que, aquando da última reunião entre a ABIC e o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), a secretária de Estado da Ciência e Inovação, Helena Canhão, prometeu a inclusão da associação na discussão da nova Lei da Ciência. A promessa, dizem, não foi cumprida. A associação já tinha denunciado em Agosto a exclusão de organizações representativas da discussão preliminar do diploma, acusando o Governo de ignorar bolseiros e investigadores. No entanto, a ciência «não pode ser discutida sem os cientistas», volta a alertar no comunicado enviado ontem. 

O diploma foi aprovado na reunião de Conselho de Ministros realizada em Bragança, no passado dia 9 de Setembro, tendo merecido igualmente o repúdio da Organização dos Trabalhadores Científicos (OTC), que acusou o Governo de défice democrático

A ABIC regista, no entanto, que esta não é uma situação isolada. Também na extinção da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e criação da Agência para a Investigação e Inovação (AI²) o MECI «faltou aos deveres de auscultação numa fase inicial».

No caso particular dos bolseiros, regista que o ministério tutelado por Fernando Alexandre tem vindo a protelar uma reunião com a ABIC desde a entrega do abaixo-assinado em Abril deste ano, que reuniu perto de cinco mil assinaturas a exigir a revogação do Estatuto do Bolseiro de Investigação e a aplicação do Estatuto da Carreira de Investigação Científica.

A ABIC critica ainda ainda as declarações do Provedor do Bolseiro que, em entrevista ao Público no mês passado, se colocou «contra a substituição de todas as bolsas por contratos de trabalho» e afirmou ter «mixed feelings» (sentimentos contraditórios) sobre a precariedade no sector.

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