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Depois da «lei da rolha», o despedimento

A Jerónimo Martins pretende despedir trabalhador que denunciou a falta de medidas de higiene e segurança em várias lojas de Lisboa. Marcada concentração de protesto à porta da loja dos Olivais.

Concentração de protesto realizada à porta de uma loja
Concentração de protesto realizada à porta de uma loja (foto de arquivo)Créditos / CESP

O Pingo Doce decidiu aplicar uma sanção disciplinar de despedimento com justa causa sem indemnização a um trabalhador que prestou declarações à comunicação social sobre a falta de medidas de higiene e segurança em várias lojas do grupo na cidade de Lisboa, durante o surto pandémico.

A notícia foi dada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços (CESP/CGTP-IN) em comunicado divulgado nesta terça-feira.

O trabalhador em causa é um dirigente do CESP e as suas declarações, apoiadas nos relatos dos próprios trabalhadores da empresa aos seus representantes sindicais, visaram denunciar deficiências na protecção sanitária contra o surto pandémico em lojas na cidade de Lisboa, negadas pela empresa.

O sindicato considera a atitude da empresa uma afronta à Constituição da República Portuguesa e exige a imediata reintegração do trabalhador no seu local de trabalho.

Contra a repressão patronal foi marcada para esta sexta-feira, dia 23 de Outubro, uma concentração de trabalhadores da Pingo Doce/Jerónimo Martins à porta da loja Pingo Doce Olivais Shopping, em Lisboa.

Em Junho passado o CESP denunciou «um grande aumento no número de trabalhadores infectados» em lojas da cadeia Pingo Doce e alertou para a existência de deficiências na protecção sanitária em várias lojas (ver caixa).

Conforme noticiámos à altura, pelo menos em uma loja os trabalhadores receberam um documento que os obrigava «a não divulgarem, sob qualquer circunstância», o que se passou, caso contrário iriam «sofrer consequências».

A gravidade da situação levou o sindicato a enviar um ofício em que se disponibilizava para «reunir com a empresa no sentido de agilizar» os «processos de alteração aos planos de contingência» e a «tomada de medidas concretas», que elencava.

O CESP acusa a empresa de ter tido em todo este processo uma atitude «prepotente e arrogante», ignorando «as denúncias dos trabalhadores e do Sindicato» e os pedidos de reunião do CESP, numa demonstração de «falta de respeito pelas preocupações sentidas pelos trabalhadores».

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