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CTT anunciam fecho de balcões e despedimentos

A intenção da administração, anunciada ao fim da tarde de terça-feira e a poucos dias da greve nacional convocada para 21 e 22 de Dezembro, contempla a redução de mais 800 postos de trabalho, num total de 1000, e o fecho de balcões com pouco movimento.

Os CTT, outrora uma empresa pública rentável para as contas do Estado, foram privatizados em 2013 e 2014 pelo governo do PSD e CDS-PP
Os CTT, outrora uma empresa pública rentável para as contas do Estado, foram privatizados em 2013 e 2014 pelo governo do PSD e CDS-PPCréditos

Ontem, o presidente executivo dos CTT, Francisco de Lacerda, anunciou um plano de reestruturação que prevê a redução de cerca de 800 trabalhadores em três anos, além da «optimização da implantação de rede de lojas através da sua conversão em postos de correio ou do fecho das que têm pouca procura».

O número de trabalhadores a dispensar subiu assim para 1000, tendo em conta que 200 trabalhadores a tempo inteiro já estavam em negociações para saírem este ano.

Francisco de Lacerda afirmou que «a população portuguesa em geral pode estar segura que os CTT estão e estarão empenhados em ter boa qualidade de serviço e cumprir o serviço público de que são concessionários», no entanto, tanto trabalhadores como utentes, partidos e até a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) discordam, assegurando que o serviço nunca esteve pior.

Trabalhadores unidos em greve

Os trabalhadores dos CTT vão estar em greve na quinta e na sexta-feira, contra a acentuada degradação das condições de trabalho nos CTT e do serviço público, por melhores condições de trabalho e pela manutenção dos empregos, um protesto que reúne vários sindicatos provenientes de diversas centrais sindicais.

Esta greve insere-se num contexto em que surgem cada vez mais críticas, tanto de trabalhadores como de utentes, quanto à acentuada degradação na qualidade do serviço público que a empresa recentemente privatizada fornece.

Fernando Ambrioso, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT/CGTP-IN), disse à agência Lusa que «a paralisação deverá ter uma forte adesão, tendo em conta a mobilização demonstrada pelos trabalhadores nos locais de trabalho.»

O sindicalista prevê que a correspondência fique por distribuir nos dois dias da greve e que «a população vai notar sobretudo os efeitos na distribuição do correio azul, dado que o correio normal já está a ser distribuído com muito atraso».

Fernando Ambrioso salientou ainda que a redução de pessoal nos CTT tem levado à sobrecarga dos restantes trabalhadores e à degradação do serviço prestado.

Privatização esteve em foco na Assembleia da República 

O Parlamento debateu, a 15 de Dezembro, vários projectos de resolução em torno da questão dos CTT.

As iniciativas do PS, do BE, do PCP e do PEV convergiram na análise: a privatização dos CTT resultou em prejuízos para os seus trabalhadores e para o País. As propostas para renacionalização acabaram chumbadas com o voto contra de PSD, PS e CDS-PP.

A ANACOM também denunciou «o incumprimento e as violações do serviço público dos CTT». 

Com agência Lusa

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