Coralfish: sem salários, trabalhadores suspendem contratos de trabalho

É a terceira vez, em 2022, que a Coralfish não paga os salários. Sempre que o sindicato avançou com o pedido de suspensão dos contratos, a empresa arranjou, subitamente, forma de os pagar.

Trabalhadoras conserveiras 
Trabalhadoras conserveiras CréditosFernando Veludo / Agência Lusa

Os 12 trabalhadores da empresa Coralfish, estabelecida em Atouguia da Baleia, Peniche, ainda não receberam os vencimentos referentes ao mês de Agosto. É uma situação que começa a ser «recorrente», lamenta, em comunicado, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Alimentar (STIAC/CGTP-IN): o vencimento de Julho só foi pago após o dia 20 Agosto.

Em resposta, e pela terceira vez, os trabalhadores, com o apoio do STIAC, preparam-se para suspender o contrato de trabalho (com efeito a partir de dia 28 de Setembro). Logo após a primeira ameaça de suspensão, em Julho, a empresa de produtos congelados apressou-se, rapidamente, a efetuar o pagamento dos salários.

«A falta de pagamento da retribuição aos trabalhadores coloca numa situação desagradável todas as famílias que dependem destes salários, nomeadamente todas as despesas da habitação que ficam numa situação de atraso, levando a possíveis situações de corte ou suspensão de serviços, e também dos bens alimentares, que ficam mais difíceis de adquirir, podendo levar a casos de fome e de má nutrição».

Em solidariedade com uma destas famílias, o STIAC e os restantes trabalhadores da Coralfish já estão a dinamizar uma campanha de recolha de fundos e bens alimentares.

Esta situação, de trabalhadores a passar fome e dificuldades enquanto continuam, todos os dias, a criar dinheiro para a administração da empresa, já recorrente, é completamente «intolerável», refere o sindicato, que se compromete a «acompanhar a situação e dar o apoio necessário».