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CGTP-IN defende recuperação de sectores estratégicos para o Estado

Num encontro esta quinta-feira, a CGTP-IN fez um balanço de décadas de privatizações, dando como exemplo o desastre dos CTT e salientou os benefícios para o País dos serviços das empresas do Estado.

Os CTT foram totalmente privatizados em 2014, pelo governo do PSD e do CDS-PP
Antes uma empresa pública lucrativa e com um excelente serviço público em quase todo o País, os CTT foram totalmente privatizados em 2014, pelo governo do PSD e do CDS-PPCréditosManuel Almeida / Agência Lusa

A posição foi assumida durante um encontro promovido pela Intersindical Nacional na sua sede, em Lisboa, com o tema «Importância estratégica do Sector Empresarial do Estado e a luta contra as privatizações».

«O Sector Empresarial do Estado continua sob forte pressão e algumas das empresas que dele fazem parte mantêm-se na mira da privatização», alerta a CGTP-IN numa resolução aprovada hoje.

Segundo a CGTP-IN, «estas empresas prestam um papel fundamental no desenvolvimento económico e social do País, não só por representarem um sector estratégico nacional, mas também, e principalmente, por prestarem serviços públicos à população, como é o caso dos transportes públicos, dos correios, das águas, da cultura».

«As experiências do BPN, do BES, da CIMPOR, da PT, dos CTT, etc., provam que a gestão privada de empresas estratégicas para o desenvolvimento do País não merece qualquer confiança, não respeita quaisquer princípios éticos ou morais, orientando-se pelas regras capitalistas de maximização dos lucros, em detrimento dos interesses dos trabalhadores e do País», lê-se.

A CGTP-IN reitera que essas principais empresas e serviços estratégicos devem passar para o controlo público, passando a estar ao serviço das necessidades do País e da população, em vez da gestão privada, que «aprofundam os problemas existentes» e que acabam, mais tarde, por ser «os portugueses a ter de suportar as consequências da gestão privada danosa ou mesmo criminosa».

«O longo processo de privatizações levado a cabo por sucessivos governos, e que já alienou, vendeu, destruiu uma larga parte de empresas públicas, tem mostrado como o mesmo é ruinoso para o País e para o povo português», reitera.

Sector empresarial do Estado como alavanca de desenvolvimento

No documento, a Intersindical Nacional considera como sectores prioritários: o financeiro; as telecomunicações e a reserva do serviço postal e da empresa que lhe dá corpo (CTT); os transportes e infraestruturas, em toda a plenitude, com um «Plano Nacional de Transportes»; o energético, com ênfase na redução do preço da electricidade, gás e combustíveis; o sector da água e resíduos.

A central sindical reivindica ainda «o reforço e recuperação das indústrias de defesa, como parte fundamental da soberania e defesa nacionais», bem como a recuperação de várias indústrias: siderúrgica, química de base, cimenteira, reparação naval e de contrução de comboios.

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