|Pingo Doce

CESP denuncia agressão e impedimento de entrada de trabalhadores no Pingo Doce

Segundo o CESP, nas cozinhas centrais do Pingo Doce, em Odivelas, os horários dos trabalhadores com responsabilidades parentais foram alterados unilateralmente. Quando os trabalhadores se apresentaram ao serviço, foram impedidos de entrar nas instalações e «um deles foi agarrado e atirado ao chão pelos vigilantes», denuncia o sindicato

Interior de loja Pingo Doce. Foto de arquivo
Créditos / Barlavento

Parece que o patronato já nem precisa de ver o pacote laboral aprovado para agir em consonância com ele. O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN) denunciou um caso de alegada violação dos direitos laborais nas cozinhas centrais do Pingo Doce, em Odivelas (Lisboa). 

Segundo o comunicado do sindicato enviado a diversos orgãos de comunicação social, a empresa alterou «ilegalmente» os horários de trabalhadores com responsabilidades parentais, impedindo-os de entrar nas instalações quando se apresentaram para cumprir o horário a que tinham direito.

De acordo com o CESP, os trabalhadores, mães e pais de crianças menores de 12 anos, pediram horários flexíveis previstos na lei. Perante a falta de resposta da empresa aos pedidos de alteração horária, segundo a lei, o horário flexível entra em vigor de imediato. Foi com base nesse entendimento que os trabalhadores se dirigiram ao local de trabalho ontem, dia 4 de Maio.

«Um deles foi agarrado e atirado ao chão pelos vigilantes», denuncia o sindicato, acrescentando que um dos trabalhadores, que sofre de problemas de saúde física, terá sido empurrado e agredido. 

Em comunicado, o sindicato classifica o caso como um «ataque a mães e pais que pedem horário flexível para acompanhar os filhos» e critica a postura da empresa, enquadrando-o num contexto mais amplo de interferência das grandes superfícies de distribuição nas propostas de alteração à lei do trabalho, nomeadamente o pacote laboral.

Ao AbrilAbril, uma dirigente sindical que esteve no local confirma a história e informa que a polícia foi chamada ao local após o primeiro trabalhador ter sido impedido de entrar no local. Antecipando possíveis problemas, a dirigente sindical que optou pelo anonimato, conta que face ao impedimento verificado abordou a chefia, de forma a clarificar os direitos dos trabalhadores, porém esta insistiu na sua violação dos direitos laborais.

«Foi-nos dito que a empresa tinha decidido alterar os horários e que estes trabalhadores não tinham os horários de uso flexíveis, que a empresa tinha decidido alterar os horários de forma unilateral aos trabalhadores. E foi aí que, mediante isso, chamámos a polícia», disse-nos a fonte anónima. 

Sobre a agressão, a dirigente sindical conta que o trabalhador ia-se fardar primeiro e depois falar com o gerente, «mas quando se foi fardar o segurança foi atrás dele e foi solicitado que aos vigilantes que o segurassem». De acordo com o apurado, o CESP tomará as medidas adequadas para proteger os trabalhadores, agindo judicialmente. 
 

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