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Cerca de 10 mil alunos terminam o 1.º período sem todos os professores

O primeiro período lectivo termina esta sexta-feira e ao final de três meses de aulas há ainda cerca de dez mil alunos sem professor a todas as disciplinas. A região de Lisboa é a mais afectada.

Segundo a federação sindical, muitos técnicos especializados da rede pública de Educação podem não ter os seus contratos renovados
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O ano lectivo 2021/2022 é o terceiro em plena pandemia, mas além dos constrangimentos impostos pela Covid-19, neste primeiro período as escolas voltaram a ser confrontadas com um problema antigo, que preocupa directores escolares e sindicatos: os horários que ficam por preencher.

De acordo com um balanço da Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN), há cerca de dez mil alunos que entram agora nas férias de Natal sem terem tido aulas a todas as disciplinas por falta de professores.

Olhando para a contratação de escola, o regime a que as escolas recorrem quando não conseguem ocupar todos os lugares através das reservas de recrutamento, na quarta-feira estavam ainda a concurso 196 horários, correspondentes a 1933 horas.

São menos de metade dos horários a concurso há duas semanas, mas, segundo Vítor Godinho da Fenprof, enquanto alguns podem ter sido preenchidos através da atribuição de horas extraordinárias aos docentes já colocados, noutros casos as escolas podem não ter colocado os horários a concurso, uma vez que o primeiro período está a terminar.

As disciplinas mais afectadas são as habituais: Português com 27 horários por preencher (13,8% do total), Inglês (24 horários), Física e Química (18) e Informática (17).

Por regiões, e à semelhança do que aconteceu em anos anteriores, as escolas com mais dificuldade em preencher todos os horários são em Lisboa, que na quarta-feira tinha a concurso 90 horários, o equivalente a 46,6% do total, seguindo-se Setúbal (53) e Faro (14). Regiões em que a especulação imobiliária coloca os professores deslocados perante o cenário de não conseguir aceder a habitação digna a preços comportáveis.

Por outro lado, existe o problema do envelhecimento da classe, para o qual a Fenprof tem vindo a alertar. Nos últimos 20 anos, aumentou o fosso entre os docentes com menos de 30 anos e os que já ultrapassaram os 50 anos, segundo a Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência: mais de 85% dos docentes têm acima de 40 anos e 50% já passaram os 50 anos, enquanto os docentes que têm até 30 anos de idade não chegam a 0,3%.


Com agência Lusa

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