O mais antigo casino da Península Ibérica, na Figueira da Foz, foi adquirido pela multinacional Cirsa (detida, por sua vez, pelo fundo de investimento norte-americano Blackstone) em 2024, com a aquisição de uma participação maioritária de 68%, substituindo a gestão da Sociedade Figueira Praia (Amorim Turismo) e a Local Gate. Nesse ano, a empresa tinha alcançado um lucro operacional de 699 milhões de euros, um valor que esperam aumentar para os 800-820 milhões no final de 2026.
De pouco serve o fruto do trabalho dos profissionais do Casino da Figueira: «apesar dos bons resultados económicos alcançados pela empresa nos últimos anos, muitos trabalhadores continuam a auferir salários manifestamente insuficientes», denuncia o Sindicato de Hotelaria do Centro (SHC/CGTP-IN), em comunicado. Mais de metade «recebe cerca de mil euros brutos por mês», muitos recebem «pouco mais do que o salário mínimo nacional».
«Esgotadas as possibilidades de diálogo com a administração», o SHC e os trabalhadores decidiram convocar uma greve para os dias 10 e 11 de Julho. A acção de luta pretende alcançar salários justos e valorização do trabalho; recuperação do poder de compra; horários que permitam uma efectiva conciliação entre a vida profissional e a vida familiar; combate à precariedade; melhoria das condições de trabalho; respeito pelos direitos dos trabalhadores e pela negociação colectiva», através de um processo negocial «sério» com o sindicato.
É também contestada a imposição de «alterações à organização do trabalho sem negociação efectiva» e o agravamento das condições de trabalho no Casino da Figueira, sem que a administração demonstre «disponibilidade» para encontrar soluções «justas» para os problemas existentes. Os trabalhadores e dirigentes sindicais do SHC vão estar concentrados no dia 11, às 21h, para distribuir informação à população e aos clientes sobre as más condições laborais vivadas no casino.
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