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«Call centers» da EDP com 95% de adesão à greve

Com uma forte adesão à greve no seu segundo dia, os trabalhadores dos call centers da EDP deslocaram-se esta quinta-feira à sede da empresa e à Assembleia da República, reivindicando aumentos salariais e o fim da precariedade.

Trabalhadores dos «call centers» da EDP, com vínculo à Randstad, concentrados junto à Assembleia da República, 2 de Novembro de 2017
Trabalhadores dos «call centers» da EDP, com vínculo à Randstad, concentrados junto à Assembleia da República, 2 de Novembro de 2017Créditos / SIESI

Segundo Diogo Correia, dirigente do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI/CGTP-IN), a adesão dos trabalhadores dos call centers da EDP com vínculo à Randstad «é de 95%» neste segundo dia de greve, que se prolonga até à 1h do próximo sábado, dia 4.

O dirigente sindical informou que no edifício da Quinta do Lambert, em Lisboa, «o serviço está mesmo parado». Os trabalhadores deslocaram-se hoje à sede da EDP, em Lisboa, onde exigiram uma reunião com a empresa, que, segundo Diogo Correia, cedeu e convocou um encontro para a próxima terça-feira.

Os trabalhadores deslocaram-se ainda à Assembleia da República, exigindo respostas do Governo a questões como a proposta de que as remunerações estabelecidas nos Instrumentos de Regulação Colectiva de Trabalho aplicáveis ao utilizador devam ser alargadas, no Código do Trabalho, aos trabalhadores das empresas prestadoras de serviços, como é o caso da Randstad. Consideram que, para além de melhorar significativamente as suas condições retributivas, constituiria um avanço na sua integração na EDP.

O sindicato já tinha dado conta que, na última reunião realizada com a Comissão Sindical do SIESI, a multinacional afirmou não ter margem para aumentos salariais e que apenas podia proceder a um acréscimo de 50 cêntimos no subsídio de refeição, a partir de Janeiro de 2018, que os trabalhadores consideraram insuficiente. A greve dá-se pela exigência de aumentos salariais e também pelo trabalho com direitos, contra a precariedade.

O sindicato denuncia ainda a pretensão da empresa de deslocalizar um dos serviços de atendimento prestados em Lisboa (linha HC/Espanha) para Elvas. A Randstad tem abordado os trabalhadores com a necessidade da sua transferência para outros clientes e serviços «para evitar a extinção de postos de trabalho», ao mesmo tempo que «abre formações para colocar novos trabalhadores».

Acusa também a EDP de «assobiar para o lado» e de, ao mesmo tempo que paga «milhões obscenos aos seus administradores», argumentar que o problema é dos prestadores de serviços, como a Randstad, apesar de estes trabalhadores laborarem para a EDP.

O dirigente sindical informou ainda que vários trabalhadores de outras empresas, também abrangidos pelo pré-aviso de greve, realizaram greve pela primeira vez, como é o caso de trabalhadores da Nos e da Xerox. Amanhã, está convocada uma deslocação ao Ministério do Trabalho às10h.

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