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Brisa persegue trabalhadores do contact center

Os trabalhadores do Mcall, contact center do Grupo Brisa, convocaram greve para todas as segundas-feiras do mês de Setembro, acusando a empresa de «perseguição» aos trabalhadores com actividade sindical e reivindicando várias questões, como o aumento salarial e o fim do assédio moral.

Os lucros do grupo Brisa atingiram os 136,1 milhões de euros em 2017, um crescimento de 48,4% face ao ano de 2016
Os lucros do grupo Brisa atingiram os 136,1 milhões de euros em 2017, um crescimento de 48,4% face ao ano de 2016Créditos / CGTP-IN

Numa nota enviada às redacções, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN) denuncia «a perseguição que se encontra a ser feita aos trabalhadores que participaram nos últimos plenários, bem como aos seus delegados sindicais».

Os trabalhadores do Mcall da Brisa decidiram num plenário a entrega de um caderno reivindicativo e de um pré-aviso de greve a todas as segundas-feiras do mês de Setembro, no período das 9h às 11h. Ficou ainda marcada uma vigília para o dia 19 de Setembro, «para que sejam ouvidas as suas justas reivindicações».

Os trabalhadores defendem o fim do assédio moral e «o fim ao abuso nas escutas telefónicas violadoras da privacidade», assim como o fim do abuso na colocação de processos disciplinares.

Ricardo Santos Silva, dirigente do CESP e trabalhador da Brisa, relata ao AbrilAbril várias situações que têm o objectivo de perseguir os trabalhadores, nomeadamente os sindicalizados e os delegados sindicais. São exemplos as escutas aos trabalhadores sem qualquer critério, o desconto de minutos e horas dos plenários, o facto de os trabalhadores terem que passar pelas chefias para se deslocarem para a sala destinada ao plenário, ou a criação de mais dificuldades nos processos aos activistas sindicais, procurando que sejam alvos de processos disciplinares.

Neste sentido, os trabalhadores exigem o fim do assédio moral e «o fim ao abuso nas escutas telefónicas violadoras da privacidade», assim como o fim do abuso na colocação de processos disciplinares.

O dirigente sindical revela vários aspectos da degradação das condições neste local de trabalho, como a existência de pulgas, cadeiras sem condições ou cheiro a urina nas casa de banho. Os trabalhadores defendem melhores condições e o cumprimento de todas as regras de promoção da segurança e saúde no trabalho.

Entre as reivindicações que estão na origem da greve, estão também o aumento dos salários e o salário igual para o mesmo trabalho, assim como a aplicação da tabela do acordo colectivo de trabalho a todos os trabalhadores. O dirigente sindical informa que quem teve a actualização do salário mínimo não teve qualquer aumento salarial.

Os trabalhadores exigem ainda equidade na avaliação de desempenho, a igualdade com os restantes trabalhadores do Grupo Brisa e o cumprimento da legislação laboral no que diz respeito a pausas de descanso, horários de trabalho e aprovação e afixação de férias.

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