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ARS do Algarve pretende contratar médicos sem formação específica

Há uma «deliberada intenção» governamental para precarizar o trabalho médico através do recrutamento de médicos não especialistas para o desempenho de funções de Saúde Pública, denuncia o sindicato.

Os utentes exigem o funcionamento regular do serviço de radiografia
Créditos / Pixabay

A Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve publicou, no passado dia 4 de Setembro, um concurso de recrutamento de nove médicos não especialistas para o desempenho de funções na área de Saúde Publica, cujo contrato de trabalho terá uma duração de quatro meses e uma remuneração mensal de cerca de 1200 euros líquidos.

Para o Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), esta é «a prova de uma deliberada intenção governamental para criar uma classe de médicos sem acesso a formação especializada e assim precarizar o trabalho médico», com repercussões ao nível da qualidade dos cuidados prestados.

Um exemplo similar ocorreu no Hospital Garcia de Orta, que abriu concurso para a contratação de médicos sem especialidade em serviços tão específicos como Cuidados Intensivos, Anestesiologia ou Ortopedia.

Em causa está uma «completa subversão dos princípios» da profissão, uma vez que ao médico deveria ser vedado o exercício numa área para a qual não tem competências, denuncia o sindicato.

O SMZS não aceita que o Ministério da Saúde use o surto pandémico de Covid-19 para legitimar uma política de contratação de pessoal «deliberadamente prejudicial à saúde dos portugueses».

Assim, a organização sindical exige que estes concursos sejam abolidos e que sejam garantidas as condições para que todos os médicos tenham acesso à formação especializada.

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