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Adesão à greve reforça reivindicações da administração pública

Na primeira greve nacional desde o começo da pandemia, os trabalhadores da administração pública afirmaram que não vão desistir de uma verdadeira negociação e de ver cumpridos os seus direitos.

CréditosTiago Petinga / Lusa

Várias escolas em todo o País estiveram hoje fechadas ou com perturbações na sequência da greve dos trabalhadores da função pública, para exigir aumentos salariais e valorização das carreiras.

Também na recolha de resíduos a paralisação fez-se sentir desde o turno nocturno em vários concelhos, reivindicando a melhoria das condições de trabalho e a garantia de melhores serviços públicos.

Em declarações prestadas ao AbrilAbril durante a concentração que teve lugar em frente ao Palácio da Ajuda, onde reunia o Conselho de Ministros, o coordenador da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP-IN), Sebastião Santana, adiantou que, se a Frente Comum tem desenvolvido lutas também durante a fase «aguda» da pandemia, hoje, para além da concentração, marca este dia envolvendo milhares de trabalhadores em todo o País, a exigir ao Governo respostas para os seus problemas.

São cinco as razões centrais que unem os trabalhadores dos vários sectores da administração pública. À cabeça, a melhoria dos serviços públicos e a defesa das funções sociais do Estado, bem como o aumento geral dos salários, uma vez que não se verificam aumentos salariais há mais de dez anos.

Relativamente à dignificação das carreiras, o dirigente lembra que o governo do PS/Sócrates «destruiu mais de 1400 carreiras, transformando-as em três». «É urgente reverter isto: um canalizador não faz o mesmo que um auxiliar de acção médica, ou que um auxiliar de acção educativa. Da mesma maneira que um jurista não faz o mesmo que um biólogo ou que um psicólogo», referiu.

A exigência de revogação do SIADAP continua em cima da mesa, tendo culminado a campanha da Frente Comum com a entrega de mais de 66 mil assinaturas ao Governo.

Por fim, a correcção da tabela única remuneratória no sentido de garantir «que 30 dias de trabalho não são pagos da mesma maneira que 30 anos, que é o que agora acontece», sublinhou Sebastião Santana.

Se já era verdade antes da pandemia, esta veio «não só demonstrar que estes trabalhadores são imprescindíveis e para que servem realmente as funções sociais do Estado», como «pôs a nu» uma série de problemas que já existiam, nomeadamente a falta de pessoal, frisou o dirigente.

Sobre as contratações anunciadas pelo Governo, Sebastião Santana afirmou que estão «aquém do necessário» e foram feitas «em moldes que não têm interesse nenhum». «Estamos a falar de contratações a quatro meses. Alguns [trabalhadores] estão prestes a sair, pelo que mais uma vez se trata de uma operação de cosmética para se dizer que se está a contratar na administração pública, continuando os serviços a estar depauperados», referiu.

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